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De Nova York a Ramallah – Abbas tem de negociar com Israel e parar de enrolar

gustavochacra

10 de julho de 2010 | 13h08

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, precisa parar de enrolar e se sentar de uma vez por todas com o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, para negociar. Provavelmente não levará a grandes avanços. Mas o status quo tampouco traz vantagens para os palestinos. E, se não for rápido, conforme disse o presidente Barack Obama, esta janela de oportunidade irá se fechar.

Netanyahu pode ter mil defeitos. Mas o primeiro-ministro israelense conseguiu ir o mais longe possível levando em conta a composição de sua coalizão de governo, uma das mais conservadoras da história israelense. Ele não mente quando diz que a paz econômica começou a dar resultados. Basta ver como Ramallah, Nablus e outras cidades palestinas são mais seguras e modernas hoje do que meia década atrás.

O congelamento provisório dos assentamentos, que se encerra em setembro, é menos do que exigem Obama e os palestinos. Eles queriam a interrupção definitiva na construção de casas nas colônias israelenses. Netanyahu poderia até concordar, mas certamente integrantes de seu governo deixariam a coalizão e provavelmente o premiê precisaria abandonar o cargo.

O bloqueio à Faixa de Gaza foi amenizado, há menos obstáculos para a circulação dos palestinos na Cisjordânia, o líder de Israel está disposto a se sentar na mesa de negociações e Obama, presidente dos EUA, defende abertamente a criação do Estado palestino.

Verdade, a ocupação da Cisjordânia continua e Israel mantém o controle aéreo, marítimo e terrestre (dividido com o Egito) de Gaza. Mas, se Abbas ficar parado, nada irá mudar. O líder palestino precisa dialogar e mostrar qual é o seu sonho de país. Caso contrário, os palestinos, assim como em Camp David, serão culpados pelo fracasso nas negociações, ainda que não sejam os únicos responsáveis.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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