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De Nova York a Sanaa – Com Saleh ou sem Saleh, Yemen já é o caos

gustavochacra

21 de março de 2011 | 16h01

No twitter @gugachacra

Quando começou o levante no Yemen, onde estive no ano passado, apenas fiquei imaginando que o país poderia se transformar em uma nova Somália. Com uma sociedade tribal e armada, adotando diferentes agendas, os iemenitas tenderiam a se enfrentar. A Al Qaeda se aproveitaria do caos para se fortalecer ainda mais neste território que já se transformou na principal base de operações da rede terrorista.

Agora, acompanhando os acontecimentos nos últimos dias, acho provável que Abdullah Saleh seja removido do cargo. Ele não tem o poder de Muamar Kadafi e tampouco é insano e psicótico como o líder líbio ou Saddam Hussein. Está mais para um Ben Ali ou Mubarak. Provavelmente, sua remoção ocorrerá dentro do regime e com a particpação das poderosas tribos.

Seu sucessor deve ser algum de seus parentes próximos, mas rachados com ele, que ocupam os escalões mais altos das Forças Armadas. Dificilmente romperá com os Estados Unidos e a Arábia Saudita. O Yemen é pobre e não vive sem o dinheiro destes dois países.

Como pacientes em estado grave, mas sem alteração no quadro geral, poderemos dizer que o Yemen está estável dentro das suas condições terminais. Basicamente, as autoridades continuarão sem capacidade de controlar as áreas do interior do país. No ano passado, fui aconselhado pelo governo iemenita a não me distanciar dos centros urbanos porque não haveria segurança. O mesmo ocorre agora.

Os separatistas do sul podem aproveitar o momento para intensificar as suas demandas. Existe o risco de guerra civil, mas não maior do que com Saleh no poder. A Al Qaeda já opera e continuará operando de montanhas isoladas. O país continuará na rota do tráfico de drogas e de piratas. E os rebeldes houthis tendem a se levantar contra o governo.

Como disse, nada muito grande para os padrões do Yemen. Mas, nos próximos dias, comentarei mais sobre a situação na Síria. Estou observando com calma os acontecimentos.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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