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De Nova York a Santiago – O presidente do Chile e o sucesso dos empresários no poder

gustavochacra

14 de outubro de 2010 | 10h12

Dois líderes latino-americanos recém empossados conseguiram atrair elogios de todo o mundo cuidando de temas domésticos delicados e sem necessidade de se contrapor aos Estados Unidos ou usar um discurso populista. Primeiro, vimos Juan Manuel Santos com a operação do Exército colombiano para eliminar um comandante das FARC. Agora, a forma espetacular como o presidente do Chile, Sebastian Piñera, administrou o resgate dos mineiros chilenos – e boliviano.

Nestas horas, vemos presidentes com capacidade de serem estadistas, de liderarem os seus países. Em comum, os dois possuem um passado empresarial. Piñera é inclusive um bilionário e homem mais rico do Chile.

Nos Estados Unidos, também existe o ótimo prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, um outro empresário bem sucedido que entrou para a política. Verdade, ele tem o defeito de ter mudado as regras e concorrido a um terceiro mandato. Ao mesmo tempo, Bloomberg carrega a bandeira de ser um dos raros políticos de direita liberal no mundo. Basicamente, ele defende as liberdades políticas,  sociais e econômicas – nos EUA, os republicanos defendem o liberalismo econômico, mas são conservadores no resto. Os democratas são oposto e dane-se quem estiver no meio.

Esta tendência de empresários no poder também teve seu representante no México, com Vicente Fox. E, claro, como não poderia deixar de ser, com Silvio Berlusconi, na Itália, que certamente seria o exemplo negativo de um empresário no poder.

No Oriente Médio, fica bem mais complicado debater esta questão. Nas monarquias do Golfo, temos muitos líderes com MBAs. Gamal Mubarack, cotado para substituir seu pai como novo faraó do Egito, também gosta de exibir suas credenciais empresariais, que talvez não fossem tão impressionantes se houvesse nascido em outra família.

Mas não podemos esquecer de Rafik Hariri, o bilionário libanês que conseguiu reconstruir Beirute e ter apoio do Hezbollah aos cristãos mais radicais, dos druzos aos sunitas. Como uma raridade no Líbano, nunca teve necessidade de adotar um discurso sectário. Jamais se posicionou como líder dos sunitas, como o seu filho. Era um administrador do Líbano.

E, neste post, deixo a pergunta para vocês. Empresários são melhores para governar do que políticos? Seria melhor um CEO, como Piñera, do que um político de carreira? Bloomberg ou Giuliani?

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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