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De Nova York a São Paulo – Nos EUA, ninguém é de esquerda; no Brasil, ninguém é de direita

gustavochacra

30 de julho de 2010 | 10h19

No Brasil, parece ser um crime a pessoa se dizer de direita. Lula e FHC sempre preferiram se classificar como esquerda, apesar de não terem sido nas suas políticas econômicas. A campanha de Dilma decidiu atacar Serra, chamando-o de “direitista troglodita”. O candidato tucano reagiu, se descreveu como esquerdista e citou de Ahmadinejad à política de juros para defender o seu ponto de vista. Direita, segundo ele, seria o PT.

Vivo nos Estados Unidos. Aqui, defender a esquerda em detrimento da direita seria o fim do sonho presidencial de qualquer candidato. Mesmo depois de eleito, Obama tenta rebater as afirmações de que ele seria “socialista”. Dificilmente um político americano se definirá como “esquerda”.

A palavra carrega tanto peso pejorativo que eles adotaram as definições de “liberal”, para quem prefere políticas mais de esquerda, e “conservador”, para a direita. O Partido Democrata é liberal e o Republicano, conservador.

As diferenças se devem a experiências históricas distintas. Os americanos lutaram contra o comunismo na Guerra Fria. A “esquerda” era inimiga dos valores dos EUA. No Brasil, houve um regime militar classificado como de “direita” – apesar de ter sido estatizante, o que poderia ser descrito como “esquerda”, mas esta é outra discussão.

A palavra direita virou sinônimo dos militares e “esquerda”, por quem os enfrentou. No Brasil, não há problema nos dois candidatos terem sido de esquerda na juventude. Mas Serra e Dilma seriam alvo de duros ataques da Fox News e do Wall Street Journal caso fossem candidatos nos Estados Unidos.

O que temos que lamentar, nesta história toda, é a ausência de um partido de direita no Brasil. Uma direita “The Economist”, defensora do livre mercado, ao mesmo tempo que é também liberal em questões sociais. Não como os republicanos dos EUA. Aliás, os americanos também sentem falta de um partido defendendo a política econômica dos republicanos e as sociais dos democratas. Talvez por isso os independentes não parem de crescer em detrimento de democratas e republicanos.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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