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De Nova York a São Paulo – Teste de conhecimento de Oriente Médio (Resposta = George W. Bush)

gustavochacra

10 de novembro de 2010 | 02h11

Deixei no ar o teste por 12 horas. O objetivo era mostrar como muitas vezes temos visões equivocadas do conflito entre israelenses e palestinos. Estas frases, como se percebe pelos comentários, indicariam que o autor seria uma figura com um viés anti-Israel. Porém a pessoa que as escreveu foi chamado pela própria mãe de “o primeiro presidente judeu dos EUA”. George W. Bush (esta é a resposta) certamente foi um dos maiores defensores dos israelenses ao ocupar a Casa Branca. Porém isso não o impediu de aceitar, em seu livro publicado ontem, que o Hamas foi eleito de forma democrática, a ação de Israel contra o Hezbollah foi extremamente desorganizada, Ariel Sharon provocou os palestinos ao visitar o Monte do Templo (Esplanada das Mesquitas), os palestinos têm direito a um Estado e o plano de paz da Liga Árabe é bom

Note que, em outros trechos do livro, Bush chama Arafat de mentiroso, classifica o Hamas e o Hezbollah como terroristas, lamenta a falta de liberdade no mundo árabe, diz que os palestinos erraram ao não aceitar os acordos de Camp David, elogia Ariel Sharon e afirmou que Israel realmente deveria responder ao sequestro de seus soldados.

Resumindo, podem discordar ou concordar de Bush, mas ele tinha uma visão para o Oriente Médio. E, segundo a esta visão, esta região do mundo seria mais pacífica se fosse democrática

Abaixo, as frases de Bush. Honestamente, eu apostaria em Jimmy Carter. Fiquei tão surpresos quanto vocês

“Em setembro de 2000, a frustração com o acordo de paz (de Camp David) – além da visita provocativa do proeminente líder israelense Ariel Sharon ao Monte do Templo em Jerusalém – levou à Segunda Intifada”

“O triunfo da democracia no Líbano (na Revolução dos Cedros, em 2005) ocorreu dois meses depois de eleições livres no Iraque e a vitória do presidente Abbas nos territórios palestinos. Nunca antes três sociedades árabes haviam progredido tanto em direção à democracia. O Líbano, O Iraque e a Palestina tinham o potencial de servir de base para uma região pacífica”

“Em 25 de janeiro de 2006, a verdade é que os palestinos estavam cansados da corrupção do Fatah. O Hamas conquistou 74 das 132  cadeiras (do Parlamento palestino). Muitos interpretaram os resultados como um revés para a paz. Eu discordo. O Hamas venceu com uma plataforma de governo limpo e serviços públicos eficientes, não guerra contra Israel”

“O problema fundamental do Oriente Médio é a falta de liberdade nos territórios palestinos. Sem Estado, os palestinos não possuem um lugar no mundo”

“Em antecipação à reunião da Liga Árabe em março de 2000, o príncipe (hoje rei) Abdullah da Arábia Saudita demonstrou liderança e anunciou um novo plano de paz. Segundo a visão dele, Israel devolveria o território para os palestinos, que criariam um Estado independente, abdicariam do terror e reconheceriam o direito de Israel existir. Havia muitos detalhes para negociar, mas eu concordo com o conceito (do plano saudita)”

“Salam Fayyad, economista com PhD pela Universidade do Texas, iniciou as reformas necessárias na economia e na segurança palestina”

“Os israelenses tiveram uma chance de dar um duro golpe no Hezbollah e seus patrocinadores Irã e Síria. Infelizmente, eles não souberam usar esta oportunidade (na guerra de 2006). Os bombardeios israelenses atingiram alvos de questionável valor militar, incluindo lugares no norte do Líbano bem distantes da base do Hezbollah”

“Israel ainda piorou ainda mais as coisas. Na terceira semana do conflito (de 2006), Israel bombardeou um complexo de apartamentos na vila de Qana. Vinte e oito civis morreram, mais da metade crianças”

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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