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De Nova York a Trípoli – Líbia pode se desmembrar para surgir a Tripolitania, Cyrenaica e Fazzan

gustavochacra

23 de fevereiro de 2011 | 10h59

No Twitter @gugachacra

A Líbia não se divide em linhas sectárias como o Líbano e o Iraque. Quase toda a população é muçulmana sunita. Disputas religiosas nos moldes iraquianos, libaneses e de Bahrein podem ser descartadas. Existem duas etnias, a árabe e a berbere. Mas não há disputas entre estes dois grupos que se misturaram ao longo dos séculos.

O problema da Líbia está na divisão geográfica. Neste sentido, lembra o Iraque. Assim como o Estado iraquiano, o líbio foi criado através de uma fusão de três Províncias otomanas – Tripolitania, Cyrenaica e Fazzan. As duas primeiras localizadas na costa. As outras, no interior. A relação entre elas sempre foi distante, com desertos as separando.

O levante contra Muammar Kadafi começou em Cyrenaica, rica em petróleo, onde a oposição é mais forte. Agora se prolongou para a Tripolitania, onde o ditador tem mais poder. Com a queda ou não de Kadafi, existe um risco elevado de desmembramento da Líbia.

Em grandes movimentos como a Primavera do mundo árabe surgem novos países. Alguns por partilha, como a República Tcheca e a Eslováquia. Também dá para citar a Iugoslávia e o próprio Império Otomano. Outros Estados surgem por união, como a Alemanha. Não descartem a possibilidade de a Líbia, em breve, não existir mais. E os estudantes terem que aprender as capitais da Tripolitania, de Cyrenaica e Fazzan.

O mesmo pode ocorrer no Yemen, reunificado há pouco mais de duas décadas. Os movimentos separatistas no sul se intensificaram nos últimos meses.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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