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De Nova York a Tunis (2) – Por que os tunisianos derrubaram o regime e os iranianos, não?

gustavochacra

14 de janeiro de 2011 | 16h21

O inacreditável aconteceu. Um ditador árabe foi derrubado pelo seu próprio povo depois de décadas – os EUA foram responsáveis pela queda de Saddam Hussein no Iraque. Não dá para saber ainda se teremos democracia na Tunísia. Mas a era de Ben Ali chegou ao fim. Os tunisianos, através de manifestações nas ruas, entram para a história. Falta saber se os militares permitirão que o regime seja substituído por um sistema democrático, ou apenas será uma mudança de líderes no comando ditatorial.

Alguns perguntam por que o mesmo não ocorreu no Irã, que é persa, não árabe. Em 2009, os iranianos também saíram às ruas contra o regime islâmico e o presidente Mahmoud Ahmadinejad. Simples. A diferença entre os dois casos é que o governo em Teerã podia culpar agentes externos, como os Estados Unidos, pelos protestos, por mais que isso não fosse verdade. Criaram um inimigo que manipularia os jovens iranianos. Isso gerou uma onda de apoio ao governo entre setores da população e das Forças Armadas que repudiam os EUA, lembrando inclusive de episódios como a derrubada de Mosadeq.

O mesmo não pode ser dito da Tunísia. Ben Ali era um aliado do Ocidente. Não há como dizer que americanos e muito menos israelenses estejam por trás das ações. Tampouco tem condições de culpar o radicalismo islâmico, como no Egito. Os manifestantes são jovens e seculares, como o seu regime. Também pesou a crise econômica por que passa o país. Além disso, a Tunísia tem um poder centralizado. No Irã, são vários pólos de poder, não apenas o presidente. Havia uma proteção maior.

Obs. Leiam o post anterior

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen e eleições em Tel Aviv, Beirute e Porto Príncipe. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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