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De Nova York a Tunis – Pode cair uma ditadura no mundo árabe

gustavochacra

14 de janeiro de 2011 | 13h30

Não será no Egito de Hosni Mubarak. Nem nas terras sagradas dos monarcas da família Saud. Ou no pobre Yemen, onde Abdulah Saleh consegue se manter de pé apesar do crescimento da Al Qaeda. Bashar al Assad, na Síria, e o rei Abdullah, na Jordânia, ainda são jovens e seguem firmes no comando de seus países.

Tirando o Líbano, que não é uma ditadura, poucos imaginavam o fim de um regime árabe nos dias de hoje. Muito menos na Tunísia, um país liberal em termos religiosos para a região, porém extremamente fechado na política. Um Estado militarizado e dominado há mais de duas décadas por Ben Ali, que enriqueceu a sua família. Badalada por suas praias, a Tunísia é destino quase clichê de italianos e franceses no verão. Estes turistas muitas vezes nem sabem que estão em uma nação sem democracia. Longe de Israel e do Irã e sem uma diáspora forte como a libanesa, não despertava a atenção da mídia.

Por enquanto, Ben Ali não caiu, apesar das gigantescas manifestações contra o seu regime. Mas, em pronunciamento, o líder tunisiano afirmou que deixará o cargo em 2014. Neste exato momento, demitiu todo o seu ministério e convocou eleições parlamentares em seis meses. Talvez, não dure até o fim de semana.

A queda de Ben Ali seria um choque para os líderes da região. Desde os anos 1970 não vemos uma ditadura do mundo árabe cair através de forças internas. Saddam Hussein, no Iraque, foi derrubado pelos americanos. O fim do regime poderia incentivar ações similares acima de tudo nos países do norte da África como a Argélia e o Egito. Não dá para não comparar Ben Ali com o líder egípcio. Suas histórias são parecidas, apesar de a administração do tunisiano ser melhor. Talvez tenhamos entrado em uma nova era no mundo árabe.

Atualização – O regime de Ben Ali decretou estado de emergência

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen e eleições em Tel Aviv, Beirute e Porto Príncipe. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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