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De Nova York ao Cairo – Como será o Egito pós-Mubarak

gustavochacra

13 de fevereiro de 2011 | 14h29

No Twitter @gugachacra

Depois de uma longa transição, o Egito deve se transformar em uma democracia com o Exército exercendo enorme influência.  Alguns analistas mais céticos não descartam a possibilidade de o país permanecer como uma ditadura, sendo um “Mubakarismo sem Mubarak”, nas palavras escritas em artigo publicado na influente revista Foreign Affairs pelo analista Ellis Goldberg, professor da Universidade de Georgetown e da Universidade Americana do Cairo.

Em Israel e em setores mais conservadores dos Estados Unidos, não está descartada a possibilidade de a Irmandade Muçulmana tentar instalar um Estado Islâmico no Egito. Analistas que conhecem melhor a região afirmam que os defensores desta possibilidade desconhecem completamente o Egito e a organização islâmica.

Segundo a consultoria de risco político Eurasia, que há meses alertava seus clientes de que este seria o último ano de Mubarak no poder, a transição não será fácil. “Mas os dois lados (militares e oposição) devem chegar a um denominador comum em uma atmosfera política mais aberta, eleições presidenciais e parlamentares transparentes e o fim do Estado de emergência. O resultado será uma democracia limitada em que as Forças Armadas manterão um importante papel”, diz o analista Hani Sabra.

Goldberg não discorda de Sabra na questão da influência dos militares. Mas avalia que a democracia será ainda mais limitada porque eles “não querem ver seus interesses econômicos em risco”. “O mais provável é que ocorra um lento golpe e o retorno para o autoritarismo militar de décadas atrás”, afirma.

A consultoria Stratfor, que também antecipava o fim do regime de Mubarak para este ano, segue na mesma linha e afirma que “o Egito retornou para o modelo de 1952 (quando Gamal Abdul Nasser assumiu o poder) de o Estado ser governado através de um conselho de oficiais do Exército. A questão é sobre como os militares dividirão o poder com os civis da oposição”.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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