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De Nova York ao Rio – Pelé para técnico da seleção brasileira

gustavochacra

16 de julho de 2010 | 09h58

Nesta semana, escrevi no post sobre ditaduras no Oriente Médio e também de um documentário que defende regimes que desrespeitam a democracia em Cuba e na Venezuela. Acho impressionante que, em pleno século 21, nós jornalistas tenhamos que discutir a sucessão de figuras como Hosni Mubarak, no poder há quase três décadas no Egito. E, mais grave, deve sair apenas porque morrerá e o seu filho, Gamal, é um dos favoritos para assumir a presidência do maior país árabe do mundo.

A CBF possui o seu Mubarak, o seu Fidel. Verdade, seu presidente não é sanguinário, como ditadores do passado na América Latina. Ricardo Teixeira não pode ser comparado a Trujillo, a Somoza, a Videla. Longe disso. Apenas espanta que ele permaneça no comando da CBF por tantos anos. Já são mais de duas décadas.

Seu poder não é pequeno. Nos próximos quatro anos, todo o país estará voltado para a organização da Copa do Mundo. Serão bilhões gastos no evento. Definirão quais estádios poderão participar e quais não. O Morumbi pode ficar fora. Existe o risco de tirarem São Paulo – e eu nunca entendi porque a final precisa ser no Rio e não na capital paulista.

A cidade carioca é mais bonita e carismática. Mas Capetown, quase tão bonita quanto o Rio (talvez mais), também é na África do Sul e, ainda assim, realizaram a final na cidade mais importante e capital econômica – Johanesburgo. Por que no Brasil precisa ser diferente? Sou defensor da final em São Paulo, mas acredito que a maioria dos brasileiros prefere no Maracanã. Pois então que seja no Maracanã.

O técnico da seleção também deveria ser escolhido de uma forma mais aberta. Claro que não pelo voto popular, já que seria caro e inviável. Até o hoje, o presidente da CBF, como um líder supremo do Irã, uma espécie de aiatolá Khamanei, decide quem pode e quem não pode há seis Copas. Será o responsável de novo pela sétima vez.

Como nada mudará, se eu fosse o aiatolá da CBF, sabendo que Scolari não sairá do meu Palmeiras, indicaria para técnico da seleção Pelé. Mas como um rei, tendo como primeiro-ministro Dorival, Leonardo ou algum treinador da nova geração. Para o mundo, nosso técnico seria Pelé.

O Maradona de uma certa forma resgatou a alma argentina, como o Klissman havia feito com a Alemanha em 2006, colhendo os resultados quatro anos mais tarde. No caso brasileiro, como agora não temos grandes nomes para dirigir a seleção, a saída estaria em Pelé. Com a geração de jovens formada por Thiago Silva, Breno, Miranda, Marcelo, Lucas, Anderson, Ramires, Ganso, Neymar e Pato, Pelé poderia servir de exemplo, de mostrar como é o verdadeiro futebol brasileiro. Certamente ele saberá escalar e conhece futebol pelo menos tanto quanto Dunga ou Maradona.

O problema é que o maior jogador de todos os tempos não seria amigo do regime. Por outro lado, ajudaria na questão de patrocinadores. Não sei, mas poderia haver um acordo e Pelé ser o técnico. Esta é a minha opinião.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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