As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

De Nova York e Beirute a Buenos Aires – Empatamos com o Ariel Palacios no prêmio de melhor blog do Estadão

gustavochacra

17 de dezembro de 2009 | 18h34

Há nove anos, desembarquei em Buenos Aires como correspondente da Folha. Meu concorrente era o Ariel Palácios, do Estadão. Obviamente, não havia comparação. O Ariel é um dos maiores conhecedores da história da Argentina em Buenos Aires. Poucos acadêmicos porteños sabem tanto do país platino quanto o correspondente deste jornal, casado com a Miriam, sua ex-professora de italiano em Curitiba e também jornalista. Eu era apenas um foquinha, que no jargão jornalístico se refere a repórteres com pouca experiência. Aos 23 anos, era um fanático por Maradona, lia os cartoons da Mafalda, consumia livros sobre a Guerra das Malvinas, conhecia bem a obra de Borges, Sabato e Cortazar e tinha uma camisa oficial da seleção na Copa de 1986. Perto do Ariel, porém, eu era um Ferro Carril e ele o Boca Juniors na cobertura da crise financeira que arrasou aquele país no começo da década. Percebendo a superioridade dele, em vez de competir com este brasileiro nascido na Argentina, que cresceu entre Governador Valadares, São Paulo, Recoleta, Londrina e Madri, decidi aprender.

Hoje, nove anos mais tarde, dividimos o prêmio Estadão de melhor blog do jornal. Mas apenas fui indicado por um motivo – ter formado uma comunidade de leitores. Alguns deles se reúnem mensalmente em bares da capital paulista para discutir a política do Oriente Médio. Outros fazem seus comentários de Tel Aviv, de Beirute, de Amã. Já pude encontrar vários em São Paulo. Mas estive com o Omar em Beirute, os dois Gabriels em Tel Aviv, a Fátima que tão bem me recebeu na Jordânia e o RicardoT e a Aline aqui em Nova York.

Vocês podem não acreditar, mas leitores que tanto divergem aqui, como o José Farhat, símbolo dos pró-palestinos, e o José Antonio, ícone dos defensores de Israel, já saíram para tomar cerveja juntos na Vila Madalena. Sem este blog, o Ali, juventino de sangue sírio, jamais teria se encontrado com o Gabriel, de Campinas, ou a Yoko e o MarioS, que me acompanham desde o começo, assim como o FabioNog.

Esta comunidade demonstra que não será impossível um dia sair de Beirute, passando por Sidon e Tyro, cruzando a fronteira para Israel dando um sorriso apenas para o soldado, almoçando em Haifa, passeando nos boulevards de Tel Aviv, seguindo para Jerusalém, indo a Nablus e outras cidades da Palestina, até chegar a Damasco na Síria. Verdade, faltará Buenos Aires. Mas dá para saber bastante sobre a Argentina no blog do Ariel.

Para terminar, agradeço a todo o pessoal do portal pela ajuda com o blog.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.