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De NY a Bagdá – Paquistão, Irã e Síria lideram ranking de abrigo a refugiados. E os EUA?

gustavochacra

28 de junho de 2011 | 01h29

A comunidade internacional está assombrada com os 10 mil refugiados sírios na Turquia. A secretária de Estado, Hillary Clinton, elogiou o governo turco por receber as pessoas que fogem da repressão de Bashar al Assad. Mas quase ninguém fala que o Paquistão, o Irã e a Síria são os países que mais recebem refugiados do mundo. E a maior parte destes refugiados são do Afeganistão e do Iraque. 

Atualmente, há 1,9 milhão de refugiados no Paquistão. A maioria deles é do Afeganistão. A Síria recebe 1 milhão de iraquianos, concedendo a eles educação e saúde. O Irã tem em seu território 1,1 milhão de refugiados iraquianos e afegãos. Cerca de 3 milhões de afegãos e 1,7 milhão de iraquianos foram obrigados a deixar suas casas. Os Estados Unidos, que realizam as ações militares nestes países, dão abrigo a uma fração deles e não ofereceram ajuda para Damasco, Teerã e Islamabad. Hillary tampouco diz que estes governos estejam fazendo um bom trabalho.

Temos que criticar o Irã por desrespeitar os direitos das mulheres e de minorias religiosas, por não colaborar com as inspeções da Agência Intenacional de Energia Atômica e por fornecer armas para os braços militares da do Hamas e do Hezbollah. Temos que condenar duramente o regime sírio por ter matado 1.400 pessoas apenas neste ano na repressão contra a oposição. E temos que repudiar a aliança do serviço de inteligência do Paquistão com a Al Qaeda.

Mas não podemos esquecer que estas nações sofrem consequências das ações americanas no Iraque e Afeganistão. Assim como também sofrem ainda mais os afegãos e os iraquianos.

Obs3. Sigo de férias do jornal na Califórnia

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios 

  

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