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De NY a Brasília – EUA devem reconhecer poder global do Brasil, apoiar país no CS e eliminar vistos

gustavochacra

13 de julho de 2011 | 09h08

no twitter @gugachacra

Os Estados Unidos devem apoiar a inclusão do Brasil como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU, eliminar a tarifa à importação do etanol brasileiro, suspender a obrigatoriedade do visto e tratar o país como uma potência global, e não apenas regional.

A avaliação é de um amplo estudo com o título de “EUA Devem Desenvolver uma Parceria Madura e Forte com o Brasil”, realizado por uma força tarefa de 30 especialistas americanos em diferentes áreas reunidos pelo Council on Foreign Relations (CFR), um dos mais importantes centros de política externa do mundo, com base em Nova York.

Conhecido pela enorme influência tanto no Departamento de Estado como na Casa Branca, o CFR busca através deste estudo fortalecer a importância do Brasil dentro do governo americano. Contendo algumas críticas tanto ao presidente Barack Obama como à secretária de Estado, Hillary Clinton, o estudo teve a participação de figuras ligadas aos partidos Republicano e Democrata.

“A força tarefa recomenda que a administração Obama apóie o Brasil como membro do Conselho de Segurança. Acreditamos que o Brasil, com esta cadeira, teria uma maior responsabilidade diante dos principais temas internacionais”, afirma o estudo divulgado ontem pelo CFR. Ao visitar o Brasil neste ano, o presidente americano não apoiou a iniciativa brasileira, apesar de ter feito o mesmo, meses antes, com a Índia, que também ambiciona integrar o órgão máximo das Nações Unidas.

Segundo o estudo, “um apoio formal dos Estados Unidos ao Brasil  reduziria a suspeita dentro do governo brasileiro de que o compromisso americano de uma relação madura e entre iguais não passa de retórica. Há pouco a perder e muito a ganhar com um apoio ao Brasil no CS neste momento”.

No estudo, a força tarefa busca até mesmo justificar o histórico de abstenções do Brasil na ONU ou mesmo posições contrárias aos EUA como nas recentes resoluções aplicando sanções ao Irã, em 2010, e aprovando uma zona de exclusão aérea na Líbia, há alguns meses. “Os brasileiros usam a abstenção como forma de expressar frustração diante da comunidade internacional censurando o Irã, mas não a Arábia Saudita”, diz o texto.

Para o CFR, o Departamento de Estado deveria criar um escritório “apenas para assuntos brasileiros”. Atualmente, o país está incluído na Subsecretária do Hemisfério Ocidental, que inclui a América Latina e o Canadá. O Conselho de Segurança Nacional também deveria ter um diretor para coordenar questões estratégicas com o governo brasileiro. “É do interesse dos EUA reconhecer o Brasil como um ator internacional, com uma influência global que deve continuar crescendo”, acrescentam os formuladores da proposta.

O estudo chega até mesmo a pedir uma revisão das exigências para que o Brasil possa ser incluído no Visa Waiver Program, Este programa permite que cidadãos de 36 países entrem nos Estados Unidos por até 90 dias para negócios e turismo sem a necessidade de obter o visto em consulados. A maioria deles é européia, além de algumas nações asiáticas e da Oceania, como o Japão e a Austrália. Nenhum país da América Latina está incluído. “Isso facilitaria o comércio entre os dois países e o Brasil, como medida de reciprocidade, deveria aplicar o mesmo aos americanos”, afirmam.

Existe uma preocupação, no estudo, em mostrar os lados positivos, do Brasil, que é quinto maior país do mundo em território e população e, em breve, será também a quinta economia.  Em um claro elogio ao Brasil, eles afirmam que “o crescimento resultou em uma significante redução da desigualdade, expansão da classe média e uma uma vibrante economia. Tudo dentro do contexto democrático”.

Segundo a força tarefa, o Congresso dos Estados Unidos deveria suspender a tarifa imposta às importações de etanol brasileiro,, concordando com uma das principais demandas do Brasil nas suas relações com os americanos.

Os especialistas também citam como a China superou os EUA como principal parceiro comercial do Brasil. Porém, segundo eles, as recentes críticas do governo brasileiro à política monetária chinesa, que mantém uma taxa de câmbio desvalorizada, “pode abrir uma oportunidade para maior cooperação e coordenação entre o Brasil e os EUA”.

Para completar, a força tarefa afirma que os Estados Unidos poderiam fazer parcerias com o Brasil para desenvolver a infra-estrutura da Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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