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De NY a Brasília – O argumento do Brasil para se opor a uma resolução condenando a violência na Síria

gustavochacra

14 de junho de 2011 | 09h49

no twitter @gugachacra

O Brasil mantém a cautela em apoiar uma resolução contra a Síria no Conselho de Segurança da ONU porque teme que a aprovação abra caminho para a aplicação de sanções ou mesmo de intervenção militar no futuro, como ocorreu na Líbia. Na avaliação do Itamaraty, isso agravaria a crise entre Bashar al Assad e os opositores, aumentando a instabilidade no Oriente Médio.

O episódio envolvendo a ação da OTAN contra Muamar Kadafi, segundo o Estado apurou, vem sendo considerado um fracasso por alguns membros do conselho, como o Brasil, a Rússia e a China. Estes países avaliam que as medidas tomadas pelo CS inviabilizaram uma solução política para o conflito e o mesmo poderia ocorrer em relação a Assad. No caso da China e da Rússia, também existem interesses econômicos e geopolíticos envolvidos na crise síria.

Mas a posição brasileira estaria ligada a uma diferença de opinião em relação a outros países, como a França e os Estados Unidos.  No CS, há três artigos de resolução no capítulo 7. No de número 40, estão previstas resoluções que condenem um país, mas sem a aplicação de sanções econômicas e diplomáticas. Este é justamente o artigo que vem sendo usado como base para o texto redigido pela França e outros países europeus com o objetivo de conquistar apoio para a aprovação – eles já possuem maioria, mas há o risco de veto de Moscou ou Pequim.

Esta resolução seria distinta das duas aplicadas ao regime de Kadafi, na Líbia. Na resolução 1.970, foi aplicado o artigo 41, impondo sanções e, além disso, o líder líbio foi acusado de crimes contra a humanidade e deve ser entregue ao Tribunal Penal Internacional. “Não há como voltar atrás nesta decisão”, disse um diplomata brasileiro ao Estado. Para complicar, foi aprovada, com a abstenção de Brasil, China, Índia, Rússia e Alemanha, a resolução 1973, que usa o artigo 42, que é um passo além de sanções, já que autoriza intervenção militar – no caso, a zona de exclusão aérea.

Para o Itamaraty, a aprovação de uma resolução agora, mesmo que sem sanções, transformaria a Síria em uma questão do CS, abrindo as portas para futuras tentativas de tentar aplicar o artigo 41 e, principalmente, o 42, que reduziriam as chances de uma saída diplomática para a crise síria, como ocorre na Líbia. Além disso, na avaliação da embaixada do Brasil em Damasco, Assad não corre risco curto prazo – consultorias políticas nos EUA adotam a mesma visão em seus relatórios para bancos.

Leiam os blogs da Adriana Carranca, no Afeganistão, do Ariel Palacios, em Buenos Aires, do historiador de política internacional Marcos Guterman, em São Paulo, daClaudia Trevisan, em Pequim, o Radar Global, o blog da editoria de Internacional do portal estadão.com.br, com o comando do Gabriel Toueg e do João Coscelli, o Nuestra America, do Luiz Raatz, sobre América Latina, ” e as Cartas de Washington, da correspondente Denise Chrispim

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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