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De NY a Cabul – Apesar de heróis na morte de Bin Laden, 22 SEALs são esquecidos quando morrem

gustavochacra

06 de agosto de 2011 | 18h15

no twitter @gugachacra

O Departamento de Estado realiza briefings para comentar a situação do mundo todos os dias. Na semana passada inteira, o Afeganistão não foi citado uma só vez. O tópico mais importante era a Síria, seguida por outras questões internacionais como o processo de paz entre israelenses e palestinos.

Em meio à mais longa guerra de sua história, o conflito no Afeganistão, que já deixou mais de 1.600 jovens americanos mortos, é ignorado no país e em grande parte do mundo. Neste sábado, morreram 30 militares dos EUA quando um helicóptero aparentemente foi abatido pelo Taleban. Outros oito afegãos também estão entre as baixas.

Vinte e dois mortos americanos integravam os SEALs. Esta força especial da Marinha americana é composta por heróis nacionais como os que mataram Bin Laden três meses atrás. Foi também o número mais elevado de militares dos EUA mortos desde o início do conflito, uma década atrás.

Ainda assim, ninguém está nas ruas americanas para protestar contra este conflito. Os movimentos pacifistas podem não ter acabado, mas eles parecem não se importar com a morte dos  jovens americanos da elite militar deste país. Até dá para entender que na época do Vietnã houvesse mais manifestações. O alistamento era obrigatório e o total de baixas ultrapassava as dezenas de milhares. Mas, mesmo recentemente, durante a Guerra do Iraque, havia enormes mobilizações contra a administração de George W. Bush.

O ex-presidente também começou o conflito no Afeganistão depois que o Taleban, na época no poder, não concordou em entregar líderes da Al Qaeda. Mas foi o atual presidente Barack Obama quem priorizou este conflito. Ele elevou para mais de cem mil o total de militares americanos baseados nesta nação da Ásia Central, sem falar no terceirizados.

O problema é que ninguém dá bola. Estes jovens americanos arriscaram a vida para defender os interesses e, por que não, os ideais de seu país. E são colocados como o segundo assunto mais importante do dia nos jornais e TVs americanos, abaixo da redução da nota da S&P. Foram 31 mortos, insisto. No Black Howk Down, em 1993, na Somália, foram 19. Mesmo assim, virou até filme e ainda hoje muitos tocam no assunto.

Os Seals mortos em uma Província perdida no Afeganistão serão esquecidos. Uma pena. Eles simplesmente foram os responsáveis pela mais bem sucedida operação militar americana nos dez anos de Guerra ao Terror ao matar Bin Laden.

Anos atrás, Obama precisaria prestar contas por estas mortes. Bill Clinton sofreu imensas críticas quando a operação na Somália fracassou. George Bush, o pai, se preocupava com a vida de cada um dos militares americanos. Seu filho era descrito como demônio pelas guerras. Obama levou o Nobel da Paz. E hoje, até os Seal viraram descartáveis.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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