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De NY a Damasco – A frustração dos jornalistas no levante da Síria

gustavochacra

17 de maio de 2011 | 19h21

no twitter @gugachacra

É frustrante para um jornalista querer acompanhar os acontecimentos na Síria. Aliás, ninguém consegue saber com segurança o que acontece no país. Algumas horas, parece que o regime de Bashar al Assad está próximo de desmoronar. Em outros momentos, há indicações de que o líder sírio permanece firme no cargo e não há o menor risco para o seu governo.

O número de mortos varia. Alguns relatos falam em milhares. Outros, em cerca de 800. Os protestos, segundo algumas redes de TV, reuniriam multidões. Outros órgãos de imprensa dizem que os atos são pequenos e Damasco e Aleppo ainda estariam imunes a manifestações contra Assad.

Os repórteres do país são censurados pelo regime. O trânsito deles pelo território é restringido a algumas áreas. Circular por Banias, Daara e os bairros mais conservadores de Homs parece ser tarefa impossível para os jornalistas sírios. Correspondentes estrangeiros não recebem visto. Alguns que estavam em Damasco, incluindo da rede de TV Al Jazeera, foram expulsos.

Anthony Shadid, vencedor duas vezes do prêmio Pulitzer e corrrespondente do New York Times em Beirute, recebeu visto de apenas um dia para entrevistar algumas autoridades em Damasco. Mas precisou retornar para o Líbano.

Os grupos opositores, como é comum nestes casos, tendem a exagerar os acontecimentos para benefício próprio. O regime, obviamente, usa a sua máquina de propaganda, como a agência de notícias Sana e os redes de TV estatais.

Porém alguns sinais são importantes. Os Estados Unidos, até agora, não pediram a queda de Assad. O governo americano possui embaixador em Damasco. Se um governante de um país hostil estivesse à beira do abismo, não teria motivos para Washington manter a cautela. Israel também parece ter certeza de que, por enquanto, o líder sírio não corre riscos.

Nos próximos dias, voltarei a falar da Síria e tentarei traçar o cenário mais próximo da realidade, usando como base relatos de pessoas neutras em Damasco, grupos opositores, governo sírio, Departamento de Estado, imprensa israelense, árabe e internacional, análises de consultoria de risco político e o meu conhecimento de viagens à Síria, onde entrevistei uma série de membros da oposição e autoridades do alto escalão, incluindo Bashar al Assad. Mas, infelizmente, não terei como passar o sentimento nas ruas.

Leiam os blogs da Adriana Carranca, no Afeganistão, do Ariel Palacios, em Buenos Aires, do historiador de política internacional Marcos Guterman, em São Paulo, daClaudia Trevisan, em Pequim, e o Radar Global, o blog da editoria de Internacional do portal estadão.com.br e do jornal O Estado de S.Paulo”

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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