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De Ny a Dresden – CBF jogou Marta, maior jogadora da história, no lixo

gustavochacra

11 de julho de 2011 | 11h29

no twitter @gugachacra

O Brasil estava com uma jogadora a mais e vencia a partida. Marta, a melhor mulher a ter jogado futebol na história da humanidade, estava em campo, com dois gols marcados. A árbitra parecia estar, no mínimo, inclinada a favorecer a seleção brasileira. Ainda assim, perdemos.

Muitos diriam que todos os analistas elogiariam a seleção brasileira de futebol feminino caso elas vencessem as americanas, detentoras de três medalhas de ouro nas Olimpíadas e duas Copas do Mundo. Porém, ainda durante a partida, quando o Brasil vencia,  Julie Foudy, ex-jogadora e comentarista da ESPN, alertava que as brasileiras, mesmo com uma jogadora a mais, estavam desgastadas pela falta de preparo para Copa e as americanas poderiam aproveitar esta falha. “Se houvesse investimento e organização na seleção brasileira como há na americana, o Brasil seria imbatível com esta quantidade de talento. E não falo apenas da Marta, mas de todas”, disse, quando os EUA ainda perdiam. “Mas elas estão cansadas e as americanas, não”, finalizou.

O Brasil realizou apenas dois amistosos antes da Copa. Praticamente não houve investimento da CBF, que ignora as nossas meninas. Os EUA, por sua vez, trabalharam quatro anos para este mundial, desde a derrota por 4 a 0 para o Brasil na semifinal em 2007. Renovaram o time, treinaram, investiram. No ano seguinte à derrota para as brasileiras, já eram mais uma vez campeãs olímpicas, derrotando justamente a nossa seleção na final em Pequim.

Desta vez, vão para a semifinal. Não são perfeitas, apesar de a goleira Hope Solo estar próxima disso em todos os sentidos. Mas as americanas deram de tudo, dentro e fora de campo, para ser campeãs. Poderia não dar certo. Perderam para a Suécia na primeira fase. A Alemanha, outra seleção bem organizada e anfitriã, foi eliminada pelo Japão. Mas pelo menos estes dois times estão no limite de suas capacidades.

O Brasil, não. Como disse a comentarista americana, uma seleção com Marta e as outras jogadoras poderia ser, proporcionalmente, superior ao Brasil de 1970. Marta é sobrenatural. Ela é como o Michael Jordan, o Michael Phelps, o Usain Bolt, o Tiger Woods de anos atrás. Mais do que o Roger Federer, pois este perdeu o trono para Nadal e Djokovic.

Marta poderia ser mais do que Pelé. Mais do que Hortência e Paula juntas, mais do que Maria Esther Bueno. Nunca o Brasil teve uma atleta como esta camisa dez. Mas a CBF desperdiçou a chance de conquistarmos a Copa. Quem sabe, por ter 25 anos, ela ainda estará em campo nas Olimpíadas de 2016. Vamos sonhar com uma medalha de ouro ou uma Copa para esta atleta, marcada por ser vice-campeã.

Os americanos gastam milhões para tentar produzir alguma jogadora que chegue aos pés da Marta. O futebol é a modalidade mais praticada entre as meninas americanas. Mia Hamm, melhor da história até surgir Marta, talvez seja o maior ídolo do esporte feminino americano. O potencial de marketing de Hope Solo, com este nome encantado, talento impressionante e beleza de top model talvez seja o maior entre as atletas americanas de hoje. Hillary Clinton, secretária de Estado, é fanática por futebol feminino, sabendo todas as escalações de memória. Mesmo assim, são incapazes de ter uma Marta. Ela nasceu no Brasil, como o Maradona na Argentina. É pura sorte.

Já o Brasil, que poderia ter um Dream Team como a seleção de basquete dos EUA de 1992, jogou tudo no lixo. Marta, maior de todos os tempos, ficará mais um ano sem a Copa do Mundo.

Obs. Desculpem por não falar de política internacional hoje

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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