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De NY a Iowa – Bachman (cristã radical) + Romney (experiente) = Perry? Os rivais de Obama

gustavochacra

14 de agosto de 2011 | 08h25

no twitter @gugachacra

Para o Partido Republicano, a campanha pela Casa Branca já começou. Na quinta-feira, ocorreu o segundo debate e os candidatos também disputaram uma votação simbólica ontem no Estado de Iowa. Todos no partido sabem que o perfil ideal para derrotar o presidente Barack Obama daqui a 15 meses é o de um político experiente e com um histórico econômico para enfrentar o desemprego acima dos 9%.

Porém, apesar de a tendência ser de a crise da economia dominar os debates na disputa presidencial do próximo ano, “nas primárias republicanas, especialmente em alguns Estados mais conservadores, temas sociais podem ser determinantes” na escolha do candidato disse Kalyn Bowman, do American Enterprise Institute, um centro de pesquisa conservador em Washington.

Com um histórico de posições consideradas liberais para os padrões republicanos, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney – líder na pesquisa da NNN com 17% – pode enfrentar dificuldade nas primárias nestas regiões conservadoras. O mesmo se aplica a Jon Huntsman (4%), que governou Utah e também serviu como embaixador de Obama na China até poucos meses atrás. Para complicar, os dois são mórmons, uma religião vítima de preconceito de alguns setores do cristianismo evangélico que compõe boa parte da base do eleitorado republicano.

Candidatos conservadores, como Michele Bachmann, deputada por Minnesota e uma cristã fervorosa, sofrem com a falta de experiência em economia. Mesmo vencendo a votação em Iowa ontem, sua popularidade também caiu de 12% para 7% nas pesquisas que incluem o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani (12%) e a ex-governadora do Alasca Sarah Palin (12%), apesar de eles ainda não terem decidido se concorrerão. Tim Pawlenty, ex-governador do mesmo Estado de Bachmann, mesmo com bons resultados na economia e um conservadorismo em questões sociais, como a sua oposição ao casamento entre homossexuais, não conseguiu alavancar a sua campanha e desistiu ontem. Ron Paul, o libertário, possui uma base forte, mas ele próprio admite que sua campanha é mais educativa do que uma iniciativa para realmente vencer.

Diante desse cenário, o nome de Rick Perry, governador do Texas e o político mais antigo no poder em um Estado, ganhou força e ele tem 15% nas pesquisas. Conservador em questões sociais, muitas vezes atuando no estilo de um pastor evangélico e sempre carregando um revólver, ele tem uma currículo de sucesso na política econômica texana. Seria uma mistura de Bachmann na parte social com Romney na economia. “Perry é um governador experiente, como Romney, com um histórico na criação de empregos, e é popular entre os republicanos conservadores”, afirma Kalyn. “Muitos republicanos estão relutantes em apoiar Romney. Para eles, Perry seria uma boa alternativa.”

Molly Ball, comentarista do site Politico, adota uma posição diferente. “A candidata mais ameaçada é Michele Bachmann, pois seu apelo é similar ao de Perry, que deve ofuscá-la”, escreveu. Ontem, o governador do Texas anunciou sua pré-candidatura presidencial na Carolina do Sul, desviando as atenções da imprensa para os demais candidatos que estão em Iowa para a votação simbólica, onde Bachmann é favorita.

Perry ainda conta com uma outra carta na manga. O Comitê de Relações Islâmico-Americanas, principal entidade muçulmana dos EUA, elogiou o governador texano e quase anunciou apoio a ele publicamente. Outros candidatos, como o ex-senador Rick Santorum e o empresário Herman Cain, são considerados islamofóbicos.

Ao mesmo tempo, Perry é criticado por ativistas laicos, que o acusam de misturar religião e política, além de se envolver em iniciativas bizarras, como realizar uma oração coletiva para pedir chuvas, em abril.

No dia 6, foi a vez de Perry recorrer a Deus para receber conselhos sobre os rumos dos EUA. Além disso, o governado do Texas não tem boas relações com o ex-presidente George W. Bush, seu antecessor no governo do Estado, ainda influente em Washington.

Sarah Palin era até poucos meses atrás a grande estrela republicana e muitos apostavam que ela seria imbatível nas primárias. Mas, apesar de ainda ser popular entre os eleitores conservadores, seu nome começa a ser descartado da disputa e seu índice nas pesquisas está em queda.

“Muita gente no partido acredita que Palin não entrará na disputa. Até agora, ela não fez nada para organizar a sua campanha”, diz Karlyn Bowman, do American Enterprise Institute. Palin também perdeu espaço para Michelle Bachmann. A deputada, além de ter o mesmo carisma, possui mais experiência em Washington. “Ela deixou ser uma tendência”, escreveu Kathleen Parker, colunista do Washington Post.

Na avaliação de especialistas, a ex-governadora do Alaska quer aproveitar o seu status de celebridade para ganhar dinheiro no mídia. Ao mesmo tempo, outros acham que ela apenas aguarda o momento ideal para entrar no campanha.

O portal do Estadão começou ontem a cobrir os dez anos dos atentados. Eu entrarei em breve nesta cobertura também. Acompanhem no http://topicos.estadao.com.br/11-de-setembro

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

 

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