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De NY a Iowa – Quem é o republicano que pode vencer Obama?

gustavochacra

30 de maio de 2011 | 10h45

no twitter @gugachacra

Nenhum dos pré-candidatos republicanos à disputa presidencial do ano que vem contra Barack Obama conseguiu empolgar os simpatizantes do partido ou mostrou condições de derrotar o atual ocupante da Casa Branca, fortalecido desde a bem sucedida ação militar para matar Osama bin Laden no início do mês.

De um lado, estão figuras do Tea Party, ligadas à ala mais conservadora republicana, como Sarah Palin, Michelle Bachmann e Newt Gingrich. De outro, ex-governadores que possuem um bom histórico administrativo, com discurso mais focado em questões econômicas. Neste grupo, preferido pelo establishment do partido em Washington, três já anunciaram a pré-candidatura –Mitt Romney (Massachusetts), Tim Pawlenty (Minnesota) e Jon Huntsman (Utah).

O problema é que, nas primárias, o grupo do Tea Party seria favorecido pela recente guinada do partido a um conservadorismo extremo. Mas, nas eleições, eles dificilmente conquistariam o voto dos independentes. Estes eleitores querem alguém com credenciais em economia, justamente como Romney, Pawlenty e Hunstman, e não uma Sarah Palin.

Tirando Pawlenty, os outros dois ex-governadores sofrem por associação com Obama e esta relação pode ser fatal nas primárias. Romney devido ao seu bem sucedido plano de reforma do sistema de saúde de Massachusetts, que serviu de inspiração para a Casa Branca. O problema é que os eleitores do Tea Party odeiam esta reforma. Huntsman, por sua vez, foi embaixador de Obama na China até algumas semanas atrás. Este posto, que seria um ponto forte entre os independentes, por mostrar experiência em política externa e economia, pode ser fatal nas primárias quando disputar o voto conservador em Estados como Iowa. Para completar, tanto Romney como Huntsman são mórmons, uma religião vítima de preconceito entre parte do eleitorado evangélico – e, curiosamente, ambos são filhos de bilionários.

Além destes nomes, Jeb Bush e Chris Christie não podem ser descartados, apesar de negarem a intenção de se candidatarem. O primeiro, irmão e filho de ex-presidentes, governou a Flórida, Estado chave na disputa, e é popular entre os hispânicos. O segundo, governador de Nova Jersey, um Estado democrata, tem elevada aprovação por sua administração das finanças públicas.

Basicamente, os republicanos vivem um dilema – precisam ser conservadores para vencer as primárias, mas liberais para atrair os independentes e derrotar Obama. Se não encontrarem ninguém de peso, o establishment republicano talvez tenha que ver Sarah Palin como candidata.  Karl Rove, principal estrategista republicano, a considera “despreparada”. Roger Allies, presidente da Fox News, principal bastião do partido na TV americana, até contratou Palin para trabalhar no canal, mas a considera “idiota”, segundo relato publicado na revista New York (não é a mesma que a New Yorker) nesta semana.

Nas pesquisas, Palin aparece em segundo lugar, com 15%, mas em empate técnico com o primeiro colocado, Mitt Romney. Seu nome é o mais conhecido entre os pré-candidatos do partido. Os eleitores dela costumam ter menos escolaridade, segundo o Gallup, e estão concentrados em Estados onde dificilmente os republicanos perderão. O problema maior, de acordo com a pesquisa e analistas, está justamente entre o eleitorado independente em Estados considerados chave, como o Flórida e Ohio, onde ela aparece mal.

No Tea Party, sua principal adversária seria a deputada Michele Bachmann. As duas são aliadas, mas cresceu a tensão entre elas nos últimos dias. O ex-líder do Congresso nos anos 1990, Newt Gingrich, que tenta renascer politicamente, também pode atrair votos neste eleitorado mais conservador. O senador Ron Paul, por sua vez, ainda é o preferido dos libertários e está em terceiro nas pesquisas, com 10%. Vou me aprofundar nele outro dia.

Leiam os blogs da Adriana Carranca, no Afeganistão, do Ariel Palacios, em Buenos Aires, do historiador de política internacional Marcos Guterman, em São Paulo, daClaudia Trevisan, em Pequim, o Radar Global, o blog da editoria de Internacional do portal estadão.com.br, com o comando do Gabriel Toueg e do João Coscelli, o Nuestra America, do Luiz Raatz, sobre América Latina, ” e as Cartas de Washington, da correspondente Denise Chrispim

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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