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De NY a Istambul – Turquia massacra uma centena de curdos e ninguém fala nada

gustavochacra

24 de agosto de 2011 | 19h37

no twitter @gugachacra

Sei que não está saindo em quase nenhum lugar. Mas a Turquia está batendo o recorde de hipocrisia. Matou nos últimos dias mais de cem curdos em bombardeios no Iraque. A informação é difícil de achar. Ninguém dá bola. Afinal, são curdos. Quem liga para eles? São apenas o maior povo do mundo sem Estado…

A ONU não vai se manifestar. Não ocorrerá uma reunião do Conselho de Segurança para discutir este assunto. O presidente Barack Obama e sua secretária de Estado, Hillary Clinton, ficaram calados. Não perguntaram nada no briefing do Departamento de Estado em Washington. O Brasil tampouco adotou uma posição. Irã e Israel evitaram críticas a Ancara, afinal os turcos desfrutam de unanimidade. Nem o Human Rigths Watch me enviou informações. Se fosse da Síria, teria recebido uns dez emails deles.

A Turquia disse que eram terroristas do PKK. Tudo bem. Aparentemente, muitos deles eram mesmo. Mas não é o premiê Recep Tayyp Erdogan que deu um chilique em Davos ao brigar publicamente com o presidente de Israel, Shimon Peres, pelos bombardeios em Gaza? Israel simplesmente agiu da mesma forma que os turcos. Disse que eram terroristas do Hamas.

O Erdogan também condena publicamente o Bashar al Assad pela repressão à oposição. Atitude perfeita e elogiável. Mas o líder sírio também diz estar lutando contra terroristas. Exatamente como o premiê turco no caso do PKK.

Eu, entre muitas outras pessoas, considero fundamental o papel da Turquia nos atuais levantes árabes. O país tem apoiado iniciativas democráticas e ficado no lado certo da história. A pressão sobre Assad talvez resulte em um cenário positivo na Síria. Também tem atuado com maturidade no Iraque e no Líbano.

Mas a Turquia ainda reprime os curdos, não reconhece o genocídio armênio (seria como os alemães negarem o Holocausto) e, para completar, contribuem para a ocupação do Chipre, onde não respeitam a propriedade privada de gregos no lado “turco” desta ilha-país no Mediterrâneo.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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