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De NY a Jerusalém – Assentamento de Ariel deveria ser uma cidade judaica na Palestina

gustavochacra

15 de agosto de 2011 | 20h02

no twitter @gugachacra

Israel anunciou a construção de 277 unidades habitacionais no assentamento de Ariel. Esta colônia não se localiza em Jerusalém Oriental e tampouco perto da linha verde, que separa o território palestino de Israel. Está no interior da Cisjordânia, em uma área prevista como integrante do futuro Estado palestino em qualquer acordo de paz no passado ou no presente.

A porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Victoria Nuland, classificou como “profundamente preocupante” a decisão de Israel. “Como afirmei na semana passada, estes tipos de ação são contra-produtivos para a retomada das negociações”, acrescentou.

Já escrevi no passado que sou contra a remoção de assentamentos.  Na minha avaliação, Ariel e outras colônias em áreas mais profundas da Cisjordânia devem ser parte do futuro Estado palestino, assim como Nazaré e tantas outras cidades árabes fazem parte de Israel. Os habitantes devem ter direito à cidadania. Caso não queiram, precisam viver como estrangeiros com direito de residência.

Independentemente da construção dos assentamentos, da ida dos palestinos à Assembleia Geral das Nações Unidas, da reeleição ou não do Obama, da queda do Assad, da chegada da Irmandade Muçulmana ao poder no Egito, do Hamas, do Abbas, do Netanyahu, do Lieberman, do Barak, do rei Abdullah e do Ahmadinejad, todos sabem que existe apenas uma solução realista. Esta saída contém injustiças para os dois lados. Mas nunca encontrei uma melhor.

Basicamente, o Estado palestino seria criado na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Os principais blocos de assentamentos localizados próximos da fronteira ficariam sob a soberania israelense. Em troca, os palestinos receberiam terras em outras áreas e da mesma qualidade. As colônias mais profundas, como Ariel, passariam a ser palestinas e seus moradores receberiam cidadania. Jerusalém ficaria uma municipalidade unificada, mas capital dos países. Na prática, apenas a sede da Presidência palestina seria na cidade e o restante da administração ficaria em Ramallah, onde já está. Israel admitiria que muitos palestinos foram expulsos, e outros fugiram por diferentes causas. Os países árabes fariam o mesmo em relação aos judeus. Estes refugiados palestinos poderiam retornar para o futuro Estado, e não para o que hoje é Israel.

Hoje serei ultra rígido com os comentários

O portal do Estadão começou ontem a cobrir os dez anos dos atentados. Eu entrarei em breve nesta cobertura também. Acompanhem no http://topicos.estadao.com.br/11-de-setembro

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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