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De NY a Jerusalém – Depois de Gaza e Líbano, Sinai é a terceira frente de conflito de Israel; Golã será a quarta

gustavochacra

18 de agosto de 2011 | 10h48

no twitter @gugachacra

Os ataques terroristas no sul de Israel deixam claro que a segurança no Sinai está próxima do zero. Este território egípcio se transformou em uma terra de ninguém, usada como entreposto de contrabando para a Faixa de Gaza. Desta forma, Israel passa a ter três frentes de conflito. Se Bashar al Assad cair, terá uma quarta zona de instabilidade nas colinas do Golã, além de Gaza e do Líbano.

O norte de Israel há décadas é considerado uma zona de risco. Primeiramente, com a presença de milícias palestinas que levaram a uma ocupação israelense por mais de duas décadas do território libanês ao sul do rio Litani. Durante este período, o Hezbollah nasceu e cresceu, se transformando na mais poderosa guerrilha de todo o mundo.

A Faixa de Gaza é a segunda frente. No passado, não havia fronteira física praticamente com Israel. Os moradores do território viajavam para trabalhar em Ashkelon, Ashdod e até Tel Aviv e voltavam. Mas com os acordos de Oslo começou a divisão e, de cinco anos para cá, se transformou em um reduto do Hamas com constantes lançamentos de foguetes Qassam contra cidades como Sderot.

Desde a queda de Hosni Mubarak, as Forças Armadas do Egito abandonaram o Sinai. O ex-líder egípcio pode ser descrito como o principal aliado de Israel no mundo árabe, sempre cumprindo a sua palavra. Por este motivo, o governo israelense manteve enorme cautela quando ele foi derrubado pelos manifestantes da praça Tahrir (ou melhor, pelo seu próprio Exército) no início do ano.

As colinas do Golã, por décadas, foi a fronteira mais segura de Israel. Sírios e israelenses podem ser inimigos. Mas uma paz fria contribuiu para manutenção de uma estabilidade na região. Como dizem em Jerusalém, apesar de hostil, Assad era previsível e não via o menor benefício em enfrentar Israel.

Isso não significa que o próximo regime da Síria, caso Assad venha a ser deposto no médio prazo, seja mais anti-Israel do que o atual. Pode até ser menos belicista. Porém certamente será mais enfraquecido do que foi o Baath até o começo deste ano. Terá as nuances de um governo similar ao do Iraque em 2006 ou 2007, sem o auxílio de forças americanas. As colinas do Golã, como o Sinai, se transformarão em uma terra de ninguém.

Por incrível que pareça, a área mais segura é a Cisjordânia, onde os moradores não são cidadãos de nenhum lugar e Israel mantém a construção de assentamentos. Não seria mais útil disponibilizar estes recursos para reforçar a segurança nas fronteiras com o Egito, Líbano e Síria?

Hoje serei ultra rígido com os comentários

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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