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De NY a LA – Desemprego, e não Afeganistão, é a derrota de Obama

gustavochacra

23 de junho de 2011 | 02h35

Já escrevi outras vezes que existem dois Estados Unidos – o dos estrangeiros e o dos americanos. O primeiro interessa mais ao resto do mundo, do Rio a Paris, de Tel Aviv a Teerã. Inclui desde estrelas da música e atores de Hollywood ao envolvimento de Washington em conflitos interrnacionais. Ao mesmo tempo, existe os EUA dos americanos, onde pesam assuntos domésticos relevantes e irrelevantes. É um país que acompanha o Jeter rumo aos 3.000 hits pelo Yankees e a renúncia do deputado twitteiro Anthony Weiner. Uma nação que já começa a viver a reeleição e onde Obama não tem mais a imagem de herói carismático que desfruta no resto do mundo.

Estes EUA estão preocupados com a economia, não com as guerras. O Afeganistão passou a despertar mais interesse pelos gastos bilionários dos contribuintes em um conflito que parece ter perdido o sentido. Os americanos tentam reconstruir uma nação na Ásia Central enquanto a economia do país vive um de seus piores momentos em sete décadas. O desemprego não consegue cair para baixo da faixa dos 9%. Entre os jovens, é ainda maior. O déficit atingiu níveis inaceitáveis. O PIB cresce a uma velocidade patética quando comparado aos BRICs. E Obama, em dois anos e meio, não resolveu nada na visão de grande parte da população, apesar de muitos o elogiarem por ter evitado uma nova depressão.

Agora, o presidente anunciou que retirará os 30 mil militares adicionais que ele enviou até meados do ano que vem. Outras 70 mil permanecem no Afeganistão, sem falar nas dezenas de milhares de contratados de empresas terceirizadas pagas pelos contribuintes. Independentemente de correta ou não a decisão, o resultado pouco alterará o cenário sombrio para Obama. Ele precisa resolver urgentemente a economia americana ou será um presidente de “um mandato só”, como dizem seus adversários republicanos. Romney, Huntsman e Pawlenty tem um currículo superior ao do atual ocupante da Casa Branca em questões econômicas. Sei que no Brasil a palavra “rupublicano” é palavrão, mas aconselho aos leitores que observem melhor estes nomes. Eu mesmo começarei a falar deles cada vez mais aqui no blog.

Obama pode ser o presidente dos sonhos dos EUA dos estrangeiros. Mas está longe de agradar os EUA dos americanos.    

Obs. Sigo de férias do jornal na Califórnia, mas escrevendo para o blog

Obs2. Troquei a foto do blog. Era para aparecer a camisa do Yankees e o estádio atrás, mas o corte não deu certo

Obs3. Parabéns ao Santos

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios 

 

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