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De NY a LA – Muçulmanos dos EUA premiam dois judeus por combate à islamofobia

gustavochacra

24 de junho de 2011 | 11h23

O comediante Jon Stewart, que apresenta o Daily Show no Commedy Central (e na CNN International), e o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, foram premiados pelo Conselho de Relações Islâmico-Americanas (CAIR) e pela Universidade Berkeley pelos seus esforços na luta contra islamofobia (preconceito ou aversão aos muçulmanos). Tanto o político como o humorista são judeus. O CAIR é a maior entidade islâmica dos EUA. Entre os maiores islamofóbicos, o CAIR e Berkeley incluíram o muçulmano Osama bin Laden e a rede terrorista Al Qaeda, entre outras figuras, como o pré-candidato republicano Newt Gingrich.

Esta eleição deve servir de símbolo contra o argumento daqueles que acham que judeus e muçulmanos se odeiam ou que Bin Laden é um herói da religião islamica. Há judeus islamofóbicos? Sim. Há muçulmanos anti-semitas? Sim. Assim como em todas as outras religiões ou mesmo entre os ateus. Conforme mostra o estudo, as ações do terrorista saudita provocaram mais islamofobia do que muitas declarações de islamofóbicos. Ninguém prejudicou tanto os muçulmanos na última década como Bin Laden.

Alguns dirão que entidades judaicas não premiam muçulmanos por seus discursos contra o anti-semitismo. Não é verdade. Fareed Zakaria, comentarista da CNN e da revista Time, foi premiado pela Anti-Defamation League. Posteriormente, ele devolveu o prêmio por discordar da posição da entidade em relação ao centro esportivo e social multi-religioso coordenado por muçulmanos próximo ao Groun Zero. Sua postura era a mesma de Bloomberg, que não via problema algum na obra. O prefeito de Nova York sempre busca ao máximo entender a religião islâmica e tem como braço direito a muçulmana Fatima Shama, uma brasileira-palestina.

E no Brasil, como sabemos, cresce também a islamofobia. Muitos islamofóbicos nunca viram um muçulmano ao vivo. Odeiam tudo o que for diferente deles. São racistas. Alguns deles são também anti-semitas.

Obs. Sigo de férias do jornal na Califórnia

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios 

 

 

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