As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

De NY a Marte – Sonho de ser astronauta acaba com lançamento de último ônibus espacial

gustavochacra

08 de julho de 2011 | 10h02

no twitter @gugachacra

Os Estados Unidos lançam hoje a sua última missão tripulada para o espaço nos ônibus espaciais que marcaram o programa espacial americano nas últimas três décadas. Mas as manchetes dos jornais, dos sites e das TVs será a taxa de desemprego de 9,2%, anunciada agora há pouco, com apenas 18 mil novos postos de trabalho criados em junho.

O sonho de ser astronauta, que marcou as gerações nascidas até o fim dos anos 1970, aos poucos chega ao fim. Os mais velhos, dos anos 1950 e 60, acompanharam a Apollo e suas viagens até o homem pisar na lua – e espero que hoje não venham com teorias da conspiração, de que tudo teria sido uma armação da NASA com Hollywood.

Os nascidos nos anos 70, também puderam ver a saga de Guerra nas Estrelas, 2001 – Uma Odisséia no Espaço e ET. Sem falar em séries como Buck Rogers, Jornada nas Estrelas e Galáctica. Em 2011, já teríamos conquistado o espaço, com bases em Marte e naves indo para fora do sistema solar. Quem sabe, o contato com seres extra-terrestres já teria ocorrido – mais uma vez, certamente alguns teóricos da conspiração acreditam que já aconteceu e eles estão em um laboratório secreto subterrâneo no Novo México.

Mas, na realidade, quando o Atlantis voltar daqui 12 dias, os EUA não usarão mais ônibus espacial para viajar ao espaço, conforme vinha ocorrendo nas últimas três décadas. Os americanos não poderão ir por conta própria para a caríssima e quase inútil Estação Espacial Internacional. A única alternativa será pegar carona nas cápsulas espaciais Soyuz, da Rússia. Cada vaga nas viagens das aeronaves russas custará cerca de US$ 63 milhões para os americanos. Até agora, 46 foram reservadas pelos EUA nos próximos cinco anos.

O fim da era dos ônibus espaciais é considerado um revés para os americanos. Ao longo dos últimos 30 anos, os EUA gastaram cerca de US$ 200 bilhões em seu programa espacial. Os russos gastam apenas US$ 2 bilhões por ano e grande parte é bancada pelo aluguel de lugares nas cápsulas para estrangeiros.

Para complicar, a Challenger explodiu em 1986, pouco mais de um minuto depois de ser lançada, e a Columbia, dezessete anos mais tarde, quando retornava do espaço. Sete astronautas morreram em cada uma delas.

A partir de agora, a NASA deve intensificar as parcerias com a iniciativa privada para retomar as missões espaciais tripuladas em um prazo estimado de cinco anos. Não está claro ainda como será o novo modelo. Mas os ônibus espaciais estão definitivamente descartados. O programa custava caro e, com os avanços tecnológicos, o governo americano, tanto na administração de George W. Bush como na de Barack Obama, defendem o investimento em operações não-tripuladas. Além de mais seguras, elas podem ir a áreas do espaço bem mais distantes.

Assim, fica a pergunta se um dia veremos, pelo menos, o homem pisando em Marte. E, mais importante, se esta realmente deve ser a prioridade de um país, como os EUA, onde praticamente um em cada dez adultos está desempregado, sem falar nos que estão fora do mercado de trabalho, dependendo de aposentadorias ou dependentes de outros trabalhadores.

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.