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De NY a Miami – Brasileiros são os novos “donos” da Flórida

gustavochacra

31 de julho de 2011 | 13h19

Com pouca procura entre os americanos, os maiores empreendimentos imobiliários da Flórida buscam atrair clientes do Brasil. Segundo corretores locais, os brasileiros são hoje a nacionalidade que mais compra imóveis no Estado americano e a diferença em relação aos outros países é ainda maior nas unidades de luxo em Miami.

Em Nova York, também muitos brasileiros começaram a adquirir apartamentos como investimento e para lazer, de acordo com as imobiliárias, mas em uma escala menor do que na Flórida. Manhattan também é disputada por europeus, árabes e asiáticos, enquanto Miami seria a preferida não apenas dos clientes do Brasil, mas de toda a América Latina.

Depois da explosão da bolha imobiliária na crise financeira de 2008, o mercado imobiliário na Flórida começou a se reaquecer no fim do ano passado graças aos clientes do Brasil e de outros países da região que têm comprado em massa propriedades neste Estado americano.

“Vendemos 17 unidades para clientes brasileiros no projeto W South Beach apenas em 2011. Este fluxo de compradores do Brasil se intensificou neste ano. Como os preços estavam muito baixos, o mercado de brasileiros viu uma boa oportunidade de adquirir imóveis em Miami e as vendas aumentaram”, diz Mayi de La Vega, da Sotheby”s.

O empreendimento representado pela corretora é em frente ao mar, com todas as amenidades do hotel W, uma das maiores grifes da hotelaria americana. Inclui piscinas, quadras de tênis, restaurantes, academia e spa. Ao todo, 50% das vendas foram para brasileiros. “Acabamos de vender oito para membros de uma mesma família”, diz.

Segundo Dela Vega, “desde a queda no mercado imobiliário, os preços caíram de 30% a 40%”. “Os brasileiros aproveitaram destes preços em uma ótima localização. Como o real está muito forte, o mercado americanos ficou barato para os brasileiros.”

Shannon Selby, corretora responsável pelas vendas do Bellini Williams Island, um dos mais luxuosos empreendimentos da região de Aventura, em Miami, com elevador privado, também afirma que o foco é atrair pessoas do Brasil. “Os brasileiros são a chave. Se não fossem eles, o mercado em Miami estaria ruim Eles procuram imóveis menores como investimento e também maiores para lazer. Esta tendência aumentou nos últimos três meses. Existe a sensação de que os preços estão nos seus patamares mais baixos e é bom comprar agora”, afirma.

Philip Spiegelman, responsável pelo empreendimento Vizcayne, também em Miami, afirma ter visto algo “parecido nos anos 1990”. Mas, segundo ele, com as crises econômicas brasileiras no fim da daquela década, os clientes acabaram desaparecendo. “Mas atualmente os brasileiros são a nacionalidade que mais compra de todo o mundo. Os preços estão mais baixos do que no Brasil”, afirma o corretor, que vendeu praticamente todas as unidades em cem dias, “sendo a maioria para brasileiros”, que poderão aproveitar as suas piscinas em formato de lagoa.

As compras podem ser financiadas se os clientes apresentarem cartas de referência dos bancos no Brasil. Porém, de acordo com os corretores, eles preferem pagar muitas vezes à vista. Os responsáveis por estes empreendimentos imobiliários também dizem que o dinheiro precisa ser transferido do Brasil, apesar de haver uma série de relatos de brasileiros que utilizam dinheiro não declarado no exterior para comprar imóveis.

Também há casos de lavagem de dinheiro, como o do juiz Nicolau do Santos Neto, que é acusado de usar dinheiro de corrupção para comprar um apartamento em Miami.

 Reportagem publicada na edição impressa do Estadão

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios 

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