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De NY a NY – Por que quem precisa ser convencido não se interessa por nada?

gustavochacra

29 de julho de 2011 | 16h55

A maior parte dos conflitos em andamento no mundo tem dois ou mais lados. Nos Estados Unidos, há os que se recusam a elevar os impostos em qualquer circunstância, e os que acham esta medida necessária. No Oriente Médio, Israel é contra a iniciativa palestina de buscar um reconhecimento do Estado na ONU em setembro, enquanto os palestinos acham este passo importante no seu sonho de ter uma nação. Na Síria, há os que querem a queda de Assad e os que o defendam até a morte.

A vitória nestas disputas seria a conquista daquele grupo que está no meio, formado pelos que precisam ser convencidos. Eu os classificaria como “neutros”. É o eleitor que não sabe se votará no Serra ou na Dilma. Se for americano, não sabe se prefere o Obama ou o adversário republicano ou se os israelenses ou os palestinos estão com a razão. Se for sírio de Aleppo, apenas observa o que se passa em Hama.

Na verdade, o neutro nem liga para isso. Provavelmente, não se interessa em ler este blog ou em ver debates sobre a crise política em Washington. Pouco importa para ele se o PT ou o PSDB está no poder. Dificilmente participou de manifestações contra ou a favor de alguma coisa na faculdade.

Por não ter opinião, às vezes serve de juiz em discussões. Um amigo mais esquerdista briga com o direitista na mesa de bar e o “neutro” intervém, pedindo para acalmar os ânimos. Também é ele quem definirá as eleições em Ohio e na Flórida. Ele é o fiel da balança.

Lembrei destas figuras ao ler uma série de comentários no post de ontem. Alguns defendendo o Irã, outros criticando. Os dois lados tinham bons argumentos muitas vezes, mas incapazes de convencer o opositor de suas ideias. Aliás, com o advento da internet e das TVs a cabo, as pessoas costumam ler aquilo que está ideologicamente mais perto do pensamento delas.  Um membro do Tea Party tende a assistir apenas a Fox News. Já um seguidor do Michael Moore deve preferir a MSNBC. Os blogs, os jornais, todos terão uma tendência política similar ao pensamento desta pessoa politizada. 

Já o neutro, não. Abrirá a parte de esportes do jornal e continuará nos achando loucos por perdermos tanto tempo falando do Ahmadinejad, do Hamas, do Assad, do Netanyahu, do Kadafi. Afinal, quem está certo, ele, que não se interessa por estes conflitos, ou nós, que transformamos estes debates em caso de vida ou morte? Provavelmente, ele também adotará uma posição neutra nesta questão.

 Os democratas e os republicanos se matam no Congresso, e o neutro, feliz da vida, apenas fica orgulhoso de saber que toda esta batalha é para ter o voto dele. Pena que, no caso, ele está vendo o jogo do Yankees, e não a CNN. Tanto poder para nada.

Obs. Escrevi pelo iPad, que faz correções sozinho. Por favor, me avisem se virem erros

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios 

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