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De NY a Riad – A hipocrisia da Arábia Saudita nos levantes árabes

gustavochacra

09 de agosto de 2011 | 08h30

no twitter @gugachacra

A Arábia Saudita, através de uma triangulação com seus aliados no Líbano, estaria por trás do armamento dos opositores sunitas em Hama e outras partes da Síria. Esta é a descrição de defensores do regime de Damasco. Com a decisão de Riad de retirar seu embaixador da Síria, esta narrativa deve se acentuar.

Segundo eles, os sauditas e seus parceiros anti-Síria em Beirute aproveitaram a onda de levantes árabes e usaram Hama, não muito distante da fronteira libanesa e com uma população extremista sunita, para provocar instabilidade contra o regime de Bashar al Assad, tido como imune a protestos no início dos levantes árabes.

Estas acusações são refutadas por Riad e opositores em Beirute e também por Anthony Shadid, correspondente do New York Times no Líbano, que esteve em Hama e descreveu os manifestantes como desarmados. Porém é confirmada por outros observadores independentes.

Já em Damasco, nas TVs locais, diferentemente do que ocorre em outras partes do mundo, as imagens são de soldados e policiais mortos. Os manifestantes não aparecem, a não ser em atos pró-regime. Também são exibidas cenas de cristãos e alauítas desmembrados e jogados no rio Orontes, em Hama, em uma suposta ação de “terroristas armados”, como eles são classificados pelo regime.

Os aliados de Assad dizem que o conflito seria entre “os seculares” de seu governo, fortes em Damasco e Aleppo e integrantes das diversas religiões, e extremistas islâmicos em Hama que pretendem transformar a Síria em uma Arábia Saudita e não em uma democracia ocidental.

Lembram também, e com total razão, como é patético ver os sauditas enviarem tropas para Bahrein para reprimir a oposição enquanto condenam a repressão na Síria. Falam em liberdade para os sírios, mas não deixam as suas mulheres dirigirem.

Países como os EUA podem ter seus interesses, ao criticarem Assad e ficarem calados diante das mortes de opositores em Bahrein e dos protestos na Jordânia. Mas os americanos tem o argumento de defender os seus valores liberais e democráticos em Damasco. Já Riad, tem apenas a hipocrisia de uma monarquia medieval.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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