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De NY a Riad – Antiga “esperança”, Obama consegue ser impopular em Israel e no mundo árabe

gustavochacra

15 de julho de 2011 | 10h11

no twitter @gugachacra

A popularidade do presidente Barack Obama despencou no mundo árabe nos últimos dois anos e a imagem dos Estados Unidos chega a atingir, em alguns países, patamares inferiores ao de quando George W. Bush ocupava a Casa Branca.

Segundo a pesquisa realizada em seis países árabes pelo Instituto Zogby, um dos mais importantes dos EUA, em parceira com o Instituto Árabe-Americano, a causa principal para a deterioração do apoio a Obama é a “ocupação das terras palestinas”, seguida pela interferência do país no mundo árabe”.

Para 95% dos entrevistados no Egito, onde Obama fez há dois anos o seu discurso para o mundo islâmico, a imagem dos EUA é desfavorável. Na Jordânia e na Arábia Saudita, dois aliados estratégicos de Washington no Oriente Médio, os números são 88% e 68% respectivamente. No rico e conservador Emirados Árabes Unidos, atinge 77%, mesmo número dos liberais libaneses, enquanto no moderado Marrocos, que implementou reformas democráticas, é de 88%.

Irã, China, França e ONU possuem números melhores do que os EUA. Mas o país mais popular entre os apresentados aos entrevistados é a Turquia. A contribuição de Washington para a paz na região é menor do que a do Irã, na avaliação dos árabes destes seis países.

Os números são mais graves ainda para Obama individualmente. No Líbano, um país conhecido por suas divisões entre cristãos, sunitas e xiitas, há praticamente unanimidade (99%) em dizer que o presidente não correspondeu às expectativas de quando foi eleito. A maior parte dos marroquinos (88%), dos egípcios (90%), dos jordanianos (94%) e dos sauditas (77%) concordam com os libaneses.

Em uma lista que inclui o presidente da França, Nicolas Sarkozy, o premiê da Turquia, Recep Tayyp Erdogan, o rei Abdullah, da Arábia Saudita, e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, Obama é o menos popular em cinco dos países onde foi realizada a pesquisa, tendo apenas 3% de avaliação positiva na Jordânia.

Apenas na Arábia Saudita o líder americano (10% de apoio) supera Ahmadinejad (4%). Mas perde quando a pergunta é inversa – 73% o consideram ruim contra 69% do iraniano. Isso levando em conta que Riad, centro dos sunitas, é um rival natural do regime xiita de Teerã.

O curioso é que em Israel Obama também bate recordes de impopularidade pelos motivos opostos. O homem que era a esperança para a paz no Oriente Médio, aos poucos se transforma no maior fracasso. Jimmy Carter não foi reeleito, mas pelo menos conseguiu a paz entre o Egito e Israel. George Bush, o pai, conseguiu isolar Saddam Hussein. E Obama?

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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