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De NY a Riad – Na vergonhosa Arábia Saudita, mulheres lutam para poder dirigir carros

gustavochacra

17 de junho de 2011 | 11h03

no twitter @gugachacra

As mulheres não podem dirigir na Arábia Saudita. O argumento é religioso. Mas, obviamente, o Alcorão não fala nada neste sentido pois não existia carro na época de Maomé. Trata-se de uma política deprimente da monarquia aliada dos Estados Unidos, onde as mulheres são tratadas como seres inferiores. Hoje, elas se levataram em protesto, dirigindo carros por 45 minutos em cidades como a capital Riad.

Normalmente, elas não podem sair às ruas sem se cobrir ou sem um parente homem próximo. Precisam ficar em alas separadas em restaurantes. Não podem exercer uma série de profissões. Na Arábia Saudita, existe uma política de Apartheid pior do que na África do Sul. Mas em vez de ser contra uma raça, é contra o gênero feminino.

Os sauditas, incluindo os homens, não podem ir aos cinemas. Não podem freqüentar baladas. Não podem tomar um chope no bar. Homens e mulheres não podem se divertir tomando banho de mar juntos nas praias.

Dos 19 terroristas do 11 de Setembro, 15 nasceram na Arábia Saudita. Nenhum deles era iraquiano, iraniano ou sírio. A Arábia Saudita foi o último país do mundo a deixar de reconhecer o regime do Taleban, no Afeganistão. A monarquia saudita patrocina agora a repressão contra a oposição em Bahrain e também na Síria.

Os sauditas também são os difusores da vertente wahabbita do islamismo, a mais radical entre os sunitas. Apesar de suas Maseratis e Lamborghinis, eles vivem em séculos no passado. Seus cidadãos não podem votar. A democracia é inexistente e as liberdades individuais são próximas do zero.

Ainda assim, os Estados Unidos classificam os sauditas como moderados. Seus monarcas são recebidos como aliados em Washington. O presidente Barack Obama tem medo de criticar a Arábia Saudita, o único país do mundo a levar o nome de uma família. Em seu discurso para o povo árabe, o líder americano, defendendo os avanços democráticos, teve medo de citar o nomes desta nação.

Podem argumentar que a Arábia Saudita tem petróleo. Mas o Irã e o Iraque também. E o regime de Teerã assumiu o posto de maior inimigo dos EUA depois da queda de Saddam. Na verdade, os sauditas optaram por usar todo o seu poder financeiro para criar um lobby em Washington para defender seus interesses. Também evitam entrar em choque com os interesses americanos.

Assim, a Arábia Saudita fica com fama de boazinha, e o Irã, com quem disputa o posto de líder do mundo islâmico, de mau. Muitos dizem que Israel seria responsável pela imagem ruim dos iranianos e do Hezbollah nos Estados Unidos. Mas ficariam surpresos ao descobrir que o papel dos sauditas é muito maior. O principal inimigo de Teerã é Riad, não os israelenses.

Olhem para Bahrain, Líbano, Iraque e palestinos. Apenas na Síria, agora, os dois países estão do mesmo lado, o de Bashar al Assad. Os iranianos, que são persas, porque sabem que sua influência no mundo árabe diminuiria. Os sauditas, pelo medo da contaminação. Afinal, uma hora ou outra, as mulheres se levantarão para poder dirigir. E as manifestações já começaram. Quem no mundo pode ser contra elas?

Alguns conservadores homens sauditas, nas suas férias de verão, invadem Beirute para cair na balada, se drogar, contratar profissionais do entretenimento adulto masculino e feminino, enquanto deixam suas mulheres trancafiadas em casa, muitas vezes contaminadas por doenças sexualmente transmissíveis contraídas de seus promíscuos, hipócritas e nojentos maridos.

Que fique claro, nem todos os homens sauditas são sim. Simplesmente, são vítimas de um regime formado pela aliança da família Saud que, para se manter no poder, permite que clérigos ultra-religiosos mandem nas questões sociais do país.

Leiam os blogs da Adriana Carranca, no Afeganistão, do Ariel Palacios, em Buenos Aires, do historiador de política internacional Marcos Guterman, em São Paulo, daClaudia Trevisan, em Pequim, o Radar Global, o blog da editoria de Internacional do portal estadão.com.br, com o comando do Gabriel Toueg e do João Coscelli, o Nuestra America, do Luiz Raatz, sobre América Latina, ” e as Cartas de Washington, da correspondente Denise Chrispim

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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