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De NY a Riad – Os levantes árabes e o novo choque do petróleo

gustavochacra

16 de maio de 2011 | 09h03

no twitter @gugachacra

Um novo choque do petróleo, menos agudo e mais prolongado que o dos anos 70, já começou e deve afetar o crescimento da economia mundial. A avaliação é de um relatório da consultoria Ernst&Young, que revisou a elevação do Produto Interno Bruto ( PIB) global em 2011 para 4%. Os levantes no mundo árabe, somados às consequências do terremoto no Japão, são a causa principal deste novo choque.

O preço do barril, que flutuava entre US$ 70 e US$ 80 ao longo de 2010, já ultrapassou a barreira dos três dígitos e deve continuar subindo nos próximos meses.

Dale Nijoka, coordenador do setor de petróleo e gás da Ernst&Young, diz que se “trata de uma nova forma de choque”. “Os anteriores foram causados por embargos, guerras ou crescimento na demanda. O choque atual é causado por fatores geopolíticos ao longo de uma ampla área geográfica. Os mercados estão reagindo de forma proativa a potenciais problemas na oferta, não necessariamente com fundamentos reais.”

“Não será um processo abrupto, como nos choques anteriores”, disse ao Estado o diretor- executivo da Ernst&Young, Alexandre Rangel. “Será uma elevação gradual”, acrescentou. Segundo ele, “a grande preocupação é que os protestos atinjam a Arábia Saudita”, maior exportador de petróleo no mundo.

Revoltas populares. Até agora, os levantes se concentraram em países como Síria, Iêmen e Egito, que não têm importância fundamental para o mercado de petróleo.

A redução na produção na Líbia por causa da guerra civil tem sido suplantada por aumento na produção saudita. Bahrein, outro alvo de protestos da oposição, também preocupa, apesar de o setor energético estar sob controle por enquanto. No território saudita, ocorreram protestos isolados de minorias xiitas. Porém, segundo consultorias de risco político, ainda não há ameaça à monarquia dos Saud.

A consultoria prevê um menor crescimento da economia no mundo justamente por causa desse choque. Um aumento de US$ 10 na cotação internacional do barril, segundo economistas, se reflete em 0,25 ponto porcentual a menos na elevação do PIB. Os mais beneficiados com esse cenário devem ser os países produtores.

O Brasil pode ser afetado se outras economias que importam produtos brasileiros enfrentarem desaceleração no crescimento, especialmente a China, segundo Rangel. O consultor avalia, porém, que no longo prazo o país pode ter benefícios por causa da exploração do pré-sal.

Leiam os blogs da Adriana Carranca, no Afeganistão, do Ariel Palacios, em Buenos Aires, do historiador de política internacional Marcos Guterman, em São Paulo, da Claudia Trevisan, em Pequim, e o Radar Global, o blog da editoria de Internacional do portal estadão.com.br e do jornal O Estado de S.Paulo”

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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