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De NY a Riad – Um perigo chamado Arábia Saudita, o maior inimigo da democracia árabe

gustavochacra

10 de agosto de 2011 | 10h16

no twitter @gugachacra

No Oriente Médio, é possível pode protestar contra um regime se você não estiver classificado no que a Arábia Saudita e seus aliados determinam como sendo terrorista. Basicamente, se sua religião for xiita, você é terrorista na visão saudita. Assim as forças de Riad esmagaram os protestos de opositores xiitas em seu território sem que o caso fosse levado para o Conselho de Segurança da ONU. As ONGs internacionais tentaram levantar a questão, mas não encontraram ninguém disposto a escutá-las.

Não contentes, os sauditas seguiram adiante e enviaram as suas tropas para ajudar a monarquia absolutista de Bahrein a matar os opositores xiitas (e também sunitas) que pedem exatamente reformas como na Síria e na Líbia. O rei Abdullah, da Arábia Saudita, é como Muamar Kadafi e Bashar al Assad. Quer dizer, pior, pois ele não trata as mulheres como seres humanos e odeia quem não segue a versão wahabitta do islamismo sunita, a mais radical, disparada, de todo o islã.

Obviamente, o caso de Bahrein tampouco figurou na agenda do Conselho de Segurança. Muitos dizem que Israel é poderoso nos EUA. Mas quem mais consegue ter seus interesses atendidos em Washington são os sauditas. Fazem o que querem. Eles apenas se diferem porque pouco ligam para os palestinos. Se ligassem, já teríamos um país rico chamado Palestina e Gaza seria uma mini-Dubai. O importante para a monarquia saudita é manter a boa vida de seus milhares de membros através do petróleo.

Agora, pressionam até a rede de TV Al Jazeera, do Qatar. O canal, decepcionando quem passou a admirá-lo por defender ideais democráticos no mundo árabe, recuou e não apresentará documentário mostrando o sanguinário papel saudita na repressão em Bahrein. Pena os manifestantes pró-democracia bairenitas não contarem com o apoio dos opositores armados, pelos sauditas, é claro, de Benghasi e de Hama.

Este regime medieval da Arábia Saudita, que defendeu Hosni Mubarak até o último segundo e dá abrigo a Abdullah Saleh, do Yemen, e Ben Ali, da Tunísia, é que pede reformas a Assad, retira seu embaixador de Damasco e se exibe de moderado para o mundo. Este é o mesmo país que patrocina organizações como a Irmandade Muçulmana e outras insitituições que propagam o islamofascismo no mundo. Querem acabar com o radicalismo e o terrorismo islâmico? Olhem para Riad, não apenas para Teerã.

Se ninguém prestar atenção, o mundo árabe terá mais cara de Riad, com minorias e mulheres reprimidas, do que de monarquia ocidental.

Para completar, nunca é demais lembrar, 15 dos 19 terroristas do 11 de Setembro nasceram na Arábia Saudita. Osama Bin Laden, também. A monarquia de Riad também era aliada do Taleban, que dava guarida aos terroristas que atacaram o World Trade Center.

 

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

 

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