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De NY ao caos – O futuro 11 de Setembro e o Iêmen; Assad prende a “Gay Girl in Damascus”

gustavochacra

07 de junho de 2011 | 11h02

no twitter @gugachacra

A possibilidade de Ali Abdullah Saleh retornar para Sanaa da Arábia Saudita, onde foi se tratar de ferimentos, apenas agrava o risco de guerra civil no Iêmen, existente pelo menos desde 2009, bem antes de começarem os levantes contra o seu regime, no início deste ano. Mas mesmo a sua ausência deve ser insuficiente para impedir um conflito armado que, para muitos analistas, já começou e é irreversível.

Não há no Iêmen ninguém com a força que Saleh teve nos anos 1990, quando unificou o norte e o sul do país e governou através de alianças com tribos espalhadas pela nação mais pobre de todo o mundo árabe. Além da atual disputa pelo poder em Sanaa, há o crescimento da Al Qaeda, que mantém no Iêmen o seu braço mais poderoso, os levantes dos houthis, uma vertente dos xiitas, no norte do território, e a luta pela independência dos separatistas no sul.

As manifestações dos opositores são apenas mais um dos focos de instabilidade. Há mais de três anos que o regime de Saleh não controlava o território fora de Sanaa e algumas poucas outras religiões metropolitanas. As áreas rurais eram e são terra de ninguém. Seu retorno ao Iêmen, se ocorrer, não será aceito pela oposição e por líderes tribais, como os Ahmar, e será resistido com armas, com a guerra chegando a capital.

Caso não regresse, há a vantagem de a oposição ter concordado com a transição ser liderada pelo vice-presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi. Porém analistas afirmam que esta alternativa não deve ser suficiente para impedir uma guerra civil. Sem uma figura forte, tribos disputarão o poder. Filhos e parentes de Saleh ainda controlam as forças de segurança. A Al Qaeda, os houthis e os separatistas devem se aproveitar da crise para impor suas agendas. Para complicar, quase toda a população adulta masculina do Iêmen possui armamentos.

Estive em Sanaa no ano passado. De todos os países árabes que visitei, nunca vi um cenário tão grave e isso foi bem antes da saída de Saleh. Prestem atenção ao Iêmen e no Paquistão. Todas as tentativas de atentado contra os Estados Unidos na última década foram organizadas em um destes dois países. Não queiram entender o Iêmen depois que milhares de pessoas morrerem. Será tarde demais, como foi com o Afeganistão em 2001.

Regime de Assad sequestra “a Gay Girl in Damascus”

E o regime de Bashar al Assad desencanou mesmo de querer uma solução pacífica. Vai matar, matar e matar. Se correr riscos, continuará matando em uma guerra civil. De pretendente a reformista até o ano passado, passa a rivalizar com seu pai, Hafez al Assad, Saddam Hussein. Muamar Kadafi como um dos maiores sanguinários da história do mundo árabe. Agora, suas forças de segurança seqüestraram Amina Arraf, que escrevia como Amina Abdallah, autora do blog “a Gay Girl in Damascus”. A teoria dos jogos explica esta atitude de Assad. Mas isso é tema para outro post

Leiam os blogs da Adriana Carranca, no Afeganistão, do Ariel Palacios, em Buenos Aires, do historiador de política internacional Marcos Guterman, em São Paulo, daClaudia Trevisan, em Pequim, o Radar Global, o blog da editoria de Internacional do portal estadão.com.br, com o comando do Gabriel Toueg e do João Coscelli, o Nuestra America, do Luiz Raatz, sobre América Latina, ” e as Cartas de Washington, da correspondente Denise Chrispim

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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