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De NY a SP – Brasileiro nos EUA vira sinônimo de rico e “cool”, beirando o deslumbrado

gustavochacra

31 de agosto de 2011 | 10h04

 no twitter @gugachacra

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Já escrevi aqui que todos os dias o Departamento de Estado realiza um briefing falando dos principais acontecimentos políticos no mundo. No de ontem, foram levantadas questões sobre Líbia, Síria, Paquistão, Sudão, Israel, Nepal, Ucrânia e Japão. O Brasil, mais uma vez, ficou de fora.

A última citação do Brasil neste briefing, que certamente indica as prioridades da agenda política internacional no momento, foi em fevereiro, antes da viagem de Barack Obama ao país. Já são sete meses. Isso não significa que os brasileiros tenham perdido destaque aqui nos Estados. Na realidade, passamos a ser vistos com admiração em muitos casos.

Na semana passada, ao entrevistar um analista para matéria do 11 de Setembro, falei algo nações “emergentes como o Brasil, Índia, Turquia….” e completei com alguma questão. O entrevistado respondeu, em tom de brincaderia mas deixando claro uma mudança de visão, que “o Brasil deveria ser incluído entre os desenvolvidos”.

Um exagero,  dada a renda per capita brasileira, a desigualdade, que diminuiu, mas ainda é grande, os altos índices de criminalidade e o baixo nível educacional. Mas, no exterior, começamos a ser vistos como ricos. Especialmente a elite e a classe média que viaja ao exterior.

Escrevi isso na matéria sobre os brasileiros comprando imóveis em Miami e também sendo os turistas que mais gastam quando viajam para Nova York. Entre na loja da Apple na Quinta Avenida e aposto que, em um dia, o maior número de iPads será vendido para brasileiros.

Outro dia, eu me inscrevi na Reebok, que possui uma das melhores piscinas para treinamento de natação em Nova York.  Tem 22 metros e três raias apenas. Se fosse em São Paulo, seria uma piada. Pense na do Pinheiros, de 50 metros e dez raias. Como a gerente da própria academia me disse, “esta é a melhor academia de Nova York, mas não compare com as de São Paulo. Nós não possuímos tanto dinheiro para ter a mesma estrutura das nossas filiais no Brasil. Estamos em crise, vocês é que são ricos”.

O Brasil hoje conseguiu ser um exemplo positivo nos cadernos e departamentos de economia nos Estados Unidos. Sabe-se lá até quando. A Argentina também chegou a ser na primeira metade dos anos Menem assim como o Japão na década de 1980. Mas o fato é que hoje somos admirados em alguns pontos. Politicamente, somos estáveis. Nós não aparecemos no briefing do Departamento de Estado, mas a Suécia e a Dinamarca tampouco. Mesmo a França e a Alemanha não são freqüentadores assíduos como egípcios e israelenses.

Quando vivi na Carolina do Sul em 1993, em Boston em 1996 ou mesmo quando me mudei na última vez, em 2005, o Brasil ainda era mais uma nação confusa da América Latina. Ninguém nos dava bola. Devagar, viramos “cool”, como diriam aqui nos EUA. Verdade, em muitos pontos, “cool” demais, beirando o “emergente deslumbrado”. E neste ponto mora o perigo.

Sigam a cobertura da Líbia em tempo real no Estadão. E também no site do Portal do Estadão sobre o 11 de Setembro. Leia ainda o Radar Global 

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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