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De NY a Teerã – O fim de Ahmadinejad?

gustavochacra

12 de julho de 2011 | 11h26

no twitter @gugachacra

Existem os efeitos “black swan”, ou cisne negro, em português, conforme escrevi aqui no blog algumas vezes. São acontecimentos inesperados, como o 11 de Setembro ou o Tsunami no Japão. Ele alteram a ordem das coisas sem que o mundo pudesse estar preparado. Ao mesmo tempo, analistas e as pessoas em geral adoram fazer previsões que nunca acontecem – e eu me incluo, claro.

Se tudo ocorresse como muitos imaginavam, 2011 seria marcado por uma guerra entre Irã e Israel, não pela Primavera Árabe. Alguns previam que Mubarak seria afastado por seus generais. Mas ninguém falou em centenas de milhares de pessoas na praça Tahrir. Tampouco anteciparam os protestos contra Assad e Kadafi na Síria e no Líbano.

Agora, o que ninguém imaginava mesmo, era a briga do aiatolá Khamanei com o presidente Mahmoud Ahmadinejad. Não sou especialista em Irã, como vocês sabem. Prefiro acompanhar o Levante, e não a antiga Pérsia. Por este motivo, recorro a Abbas Milani, uma das pessoas que mais bem conhece o Irã no mundo de hoje, em artigo no journal “The National Interest”.

“Ahmadinejad ainda tem dois anos no cargo. Mas, como as coisas estão hoje, dificilmente ele chegará ao fim (do mandato)”, escreveu. Lembro que Milani tampouco previu a ruptura entre os dois, que obviamente não aconteceu de um dia para o outro. No fim, pode ser que o líder iraniano se recupere. Ele conta com enorme apoio popular. Com fraude ou não, pelo menos uns 40% dos iranianos votaram nele, especialmente nas camadas mais baixas. Aparentemente, no entanto, ele nunca será o mesmo depois deste conflito.

O enfraquecimento de Ahmadinejad não implica no fim do radicalismo do regime iraniano. Tampouco afeta o programa nuclear de Teerã e as relações com o Hezbollah, que são bem anteriores à surpreendente emergência do presidente iraniano nas eleições de 2005. Porém certamente acabam os questionamentos sobre o Holocausto. Israel é um inimigo para o Irã, mas os aiatolás sabem que não é necessário provocar o tempo todo. O mesmo se aplica aos EUA.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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