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Do Nobel da Paz ao Terror – Noruega precisa de acordo de Oslo para Islamofobia e Islamofascismo

gustavochacra

24 de julho de 2011 | 14h24

O Nobel da Paz é concedido todos os anos através de escolha realizada por uma comissão do Parlamento em Oslo. Em 1994, Yasser Arafat, envolvido em atos terroristas nas três décadas anteriores, recebeu o prêmio ao lado dos israelenses Shimon Peres e de Yitzhac Rabin, acusados de terem ordenado ações que culminaram na morte de civis árabes no passado. 

Eles três foram indicados por terem dado início às negociações de Oslo. Estas fracassaram em grande parte pelo assassinato de Rabin, certamente o israelense mais respeitado e admirado no mundo árabe em todos os tempos e a pessoa que mais lutou pela paz no Oriente Médio. Também pesaram os atentados do Hamas em 1995, que esfacelaram a confiança que muitos israelenses tinham no processo.

Frederik de Klerk, um dos líderes do Apartheid, recebeu o Nobel da Paz em 1993 por ter negociado com o líder negro Nelson Mandela o fim do regime racista. De Klerk cometeu crimes contra a humanidade, mas se sentou com o inimigo, um pacifista genuíno, para conversar.

Nestes dois casos citados acima, na África do Sul e em Jerusalém, e em alguns outros ao longo da história, a Noruega premiou o diálogo. Tanto que o processo entre palestinos e israelenses é chamado de acordos de Oslo. Inimigos e posições diferentes devem ser colocadas na mesa para tentar encontrar uma solução comum, que certamente não agradará a todos. Mas havia, sempre, dois lados antagônicos e objetivos claros em cada um deles. Os palestinos demandam a criação de uma nação. Israel quer ter garantida a sua segurança. Os negros da África do Sul lutavam por direitos iguais ao dos brancos. Os brancos, por serem minoria, temiam que o Apartheid, se revertesse.

Na Noruega dos atentados de sexta, é um pouco mais complicado. Não são dois lados, com populações e apoio às ações. Mesmo a extrema-direita de Oslo condena duramente os ataques. Tirando o dito fundamentalista cristão de extrema-direita e islamofóbico, segundo descrição da polícia de Oslo publicada no New York Times, ninguém concorda com a morte de 92 pessoas, sendo a maioria delas jovem.

A Noruega terá um desafio pela frente, assim como outras nações europeias onde cresce tanto a islamofobia como o islamofascimo. Nos últimos anos, a preocupação era apenas com atentados terroristas cometidos por radicais islâmicos. Estavam corretos em combater estes grupos ligados a Al Qaeda, especialmente depois de Londres e Madri. Mas isso permitiu a emergência do discurso islamofóbico de líderes políticos da extrema-direita, assim como em canais de TV e jornais do continente. Em vez do diálogo, pregaram a inimizade. Agora, esperamos, isso irá mudar. Islamofóbicos, como Glenn Beck, demitido da Fox News americana (ele também é anti-semita, como fica claro nos seus ataques a George Soros), devem ser observados com atenção, assim como líderes islâmicos que pregam o ódio contra o Ocidente.

Tão perigoso quando o islamofascismo da Al Qaeda, é a islamofobia de alguns setores da extrema-direita. São poucos, é verdade. Assim como eram raras as pessoas como Yigal Amir, que matou Rabin – mas era, sejamos justos, um pouco maior as do lado palestino que defendiam os atentados. Vamos ver os Acordos de Oslo para a Europa.

Obs. Escrevi pelo iPad, que faz correções sozinho. Por favor, me avisem se virem erros

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios 

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