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De NY a Washington – Bush não foi um demônio e Obama não é santo

gustavochacra

11 de maio de 2011 | 11h24

no twitter @gugachacra

Se George W. Bush tivesse organizado a operação para matar Bin Laden no Paquistão, ele teria sido descrito como cowboy, além de ser acusado de ter desrespeitado a soberania paquistanesa. Como foi o Barack Obama, passaram a descrever o presidente como durão, demonstrando ter credenciais na área de segurança.

Caso Bush tivesse ordenado a ampliação no contingente americano no Afeganistão, afirmariam que ele estaria priorizando uma guerra perdida. Como foi Obama, passaram a descrever o presidente como um estrategista militar.

Caso Bush tivesse apoiado a ação contra Muammar Kadafi na Líbia, o acusariam de estar em busca do petróleo. Como foi Obama, passaram a dizer que os EUA estavam defendendo os democratas, contra um ditador sanguinário.

Quando Bush determinou o aumento das tropas no Iraque, foi criticado por quase todos os lados (inclusive pelo Obama). Deu certo e o atual presidente até manteve o secretário da Defesa, Robert Gates, no cargo, e David Petraeus, que arquitetou o surge na era republicana, virou o comandante no Afeganistão.

Quando assessores de Bush, como Paul Wolfowitz e Condoleezza Rice, defenderam a democracia no mundo árabe, foram duramente condenados como neoconservadores e imperialistas. Quando Obama faz um discurso para o mundo islâmico no Cairo e se reúne com o ditador Hosni Mubarak em seguida, ninguém fala nada.

Bush era condenado por Guantánamo. Obama não fechou a prisão, ignorando a sua promessa de campanha. Descobriu que não seria simples.

Não estou defendendo o Bush. Acho que a Guerra do Iraque foi um erro, especialmente o primeiro momento da reconstrução do país, com o desmantelamento do Estado e das Forças Armadas. Mas, no final, o ex-presidente acertou a mão com o “Surge”. Questiono apenas que Bush seja classificado como criminoso de guerra em muitos ambientes inclusive acadêmicos ao redor do mundo e Obama tenha recebido o Nobel da Paz. São dois pesos e duas medidas. Não há muita diferença entre os dois.

Lembro que Bush buscou desde o início desvencilhar o islã do terrorismo, deixando claro que eram fanáticos. Convidou lideranças muçulmanas para a Casa Branca. Obama seguiu na mesma linha.

Por anos, parte da sociedade americana considerava impossível ver um negro na Presidência. Bush nomeou dois secretários de Estado negros na seqüência – Colin Powell e Condoleezza Rice – em uma ação que contribuiu de certa forma para reduzir o racismo, o que ajudou na eleição do sucessor.

Bush não foi um demônio e Obama não é um santo.

Leiam os blogs da Adriana Carranca, no Afeganistão, do Ariel Palacios, em Buenos Aires, do historiador de política internacional Marcos Guterman, em São Paulo, da Claudia Trevisan, em Pequim, e o Radar Global, o blog da editoria de Internacional do portal estadão.com.br e do jornal O Estado de S.Paulo”

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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