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De Ramallah a Gaza – Palestinos podem decretar independência, pedir cidadania de Israel ou esperar pelos EUA

gustavochacra

12 de outubro de 2010 | 09h33

Com este governo de Israel, os palestinos não conseguirão assinar um acordo de paz. Podem esquecer. Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, e seu premiê, Salam Fayyad, deveriam passar para o plano B, C ou D. O “A”, obviamente, seria uma negociação com os israelenses, que está descartada.

Plano B – Pressionar os EUA para que a administração Obama coloque na mesa o seu plano de paz para os palestinos e israelenses dizerem “sim” ou “não”. O presidente dos EUA e toda a sua administração, assim como a opinião pública internacional, sabem que plano iria prever dois Estados. A Palestina consistiria na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Os maiores blocos de assentamento, na fronteira, ficariam com Israel em troca de outras terras para os palestinos. Jerusalém continuaria unificada e capital dos dois Estados, apesar de, na prática, Ramallah ser a sede da Autoridade Palestina. Os refugiados palestinos não poderiam retornar para o que hoje é Israel, mas estariam livre para viver no novo Estado. Este plano é melhor do que qualquer coisa que Netanyahu possa oferecer

Plano C – Decretar unilateralmente a independência palestina. Kosovo fez isso. Os países do mundo teriam que dizer “sim” ou “não”. A Palestina reconheceria Israel imediatamente e esperaria o mesmo dos israelenses. Certamente grande parte dos países europeus, africanos, asiáticos e latino-americanos aceitariam o novo Estado. E os EUA? Provavelmente não. Mas ficariam isolados no Conselho de Segurança da ONU, talvez com o apoio de França e Grã-Bretanha

Plano D – Desmantelar a Autoridade Palestina e desistir do Estado independente. Simplesmente, o objetivo seria pedir a cidadania israelense. Caso Israel não conceda, será formalmente um Estado de apartheid, com milhões de habitantes vivendo no território sem os mesmos direitos que os demais

Reconhecimento de Israel como Estado judaico

. os israelenses fizeram a paz com o Egito e a Jordânia sem esta exigência

. A Autoridade Palestina já reconhece Israel

. Se Israel quiser ser judaico, problema dos israelenses e de suas minorias. O Irã e a Arábia Saudita querem ser islâmicos. O Canadá e a Suécia não fazem questão nenhuma de ser religiosos. Caso os israelenses prefiram ser mais próximos dos sauditas e dos iranianos do que dos suecos e canadenses, esta é uma decisão soberana deles

Jurar Lealdade ao Estado Judaico

. Os países têm todo o direito de decidir como conceder nacionalidade aos seus cidadãos. Inclusive, reconhecer o caráter religioso desta nação, como o Irã e, aparentemente, Israel

. Mas, claro, isso deveria se aplicar a todos. Mas apenas os não-judeus (cristãos, muçulmanos, budistas, ateus etc) serão obrigados

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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