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De Riad a Ancara – Turquia vira rival de Irã e Arábia Saudita no Oriente Médio

gustavochacra

07 de junho de 2010 | 08h32

Já há algum tempo, existe uma Guerra Fria no Oriente Médio para exercer um domínio ideológico sobre as populações. De um lado, o Irã, com seu regime islâmico, defende organizações hostis a Israel, como o Hamas e o Hezbollah, além de manter uma aliança com a Síria. Seus rivais eram as monarquias e ditaduras árabes próximas aos Estados Unidos, capitaneadas pela Arábia Saudita e o Egito.

Os iranianos tinham a seu favor o discurso anti-Israel, com forte eco na população local. Mas o Irã é persa e xiita, enquanto os árabes são majoritariamente sunitas. As únicas exceções são o Líbano, com elevado percentual de cristãos e xiitas, e o Iraque, também dividido em religiões. Os sauditas e egípcios levavam a vantagem de falar a mesma língua – o árabe – e, claro, serem sunitas. Perdiam por não se posicionar contra os israelenses, sendo vistos como fantoches dos Estados Unidos.

Agora, surgiu um novo ator, a Turquia. Verdade, como os iranianos, não são árabes, saindo em desvantagem em relação ao Egito e à Arábia Saudita. Mas os turcos, apesar do regime secular, são em sua maioria sunitas. E também desfrutam de uma democracia vibrante, uma economia emergente e boas relações com os EUA, sem serem subalternos, como o Cairo. Eram aliados de Israel, mas, desde a Guerra de Gaza em 2009, assumiram a linha de frente na defesa dos palestinos.

Naturalmente, como ocorreu com o Irã, a Turquia será vista como rival pelos regimes árabes. Não podemos esquecer a imagem de dominadores dos turcos, vinda do Império Otomano. Grande parte da região onde hoje estão os países árabes pertencia aos turcos até a Grande Guerra. Vamos aguardar para ver como egípcios, sauditas e jordanianos lidarão com a nova rivalidade. E, diferentemente do Irã, a Turquia desfruta de boa imagem dos EUA, seus aliados na OTAN. Os iranianos também devem ver o seu poderio ideológico cair diante da emergência turca.

E os habitantes da região também ganham, já que, finalmente, uma democracia está na linha de frente, e não regimes autoritários que reprimem as oposições  e se perpetuam no poder. Antes a Turquia, com todos os seus defeitos, do que uma Arábia Saudita ou um Irã, com seus governos repugnantes.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Leia os blogs dos correspondentes internacionais do Estadão –

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