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De Riad a Teerã a Ancara – Sauditas, Persas e Turcos disputam o controle do Oriente Médio

gustavochacra

12 de agosto de 2011 | 11h50

no twitter @gugachacra

Arábia Saudita, Irã e Turquia disputam a Guerra Fria do Oriente Médio. Os três são Estados majoritariamente islâmicos, sendo que sauditas e turcos são sunitas e os iranianos, xiitas. Também há diferenças na etnia. Riad é árabe; Ancara, turca; e Teerã, persa. Para completar, a Turquia é uma democracia; a Arábia Saudita, uma monarquia absolutista extremista islâmica e viés wahabbita; e o Irã, um Estado teocrático com alguma forma de liberdade eleitoral desde que não se choque com os ideiais políticos do regime – o que chamaríamos de ditadura travestida de democracia.

Os iranianos exercem a sua influência através do treinamento de milícias xiitas, como o Hezbollah, no Líbano, e o Exército Mahdi, no Iraque. Também arma o Hamas, apesar de organização palestina ser sunita. Seu principal aliado é o regime de Bashar al Assad, na Síria, que tem combatido violentamente os protestos da oposição.

Os sauditas têm o poder do petróleo e o Conselho de Cooperação do Golfo. Nos atuais levantes árabes, são responsáveis por milícias que atuam na oposição síria contra Assad. Também são influentes nos grupos opositores libaneses através de sua relação com o ex-premiê Saad Hariri. Em Bahrain, ajuda na sanguinária repressão contra os manifestantes anti-monarquia. Estes, por sinal, contam com o apoio do Irã.

A Turquia, por sua vez, tem sido a nação mais responsável de todas. Não adota dois pesos e duas medidas em relação ao mundo árabe – a minha redação seria distinta se escrevesse dos curdos, dos cipriotas e dos armênios. Ancara não pensou duas vezes antes de condenar publicamente Assad, um aliado até poucos meses atrás. Desde o início, vem defendendo da democracia na região.

Estas três nações compõem tradicionalmente o Oriente Próximo. Turcos e persas foram inimigos por séculos. As tribos árabes da Península onde hoje está a Arábia Saudita também eram rivais de Istambul, na época capital do Império Otomano, e de Teerã.

Outras forças um pouco mais distantes como a Rússia também são poderosas e possuem seus interesses. Moscou, assim como os EUA, desenvolveu uma série de alianças nas décadas da Guerra Fria que ainda permanecem importantes. Uma delas é com a Síria. Os chineses também estabeleceram laços comerciais na região.

Ainda é cedo para dizer quem vai vencer este embate. Os Estados Unidos claramente adotaram aTurquia como aliada. As relações com os sauditas estão deterioradas desde que Obama não fez nada para ajudar Mubarak no Egito. Washington também se irritou com a intervenção de Riad em Bahrain. Os europeus, com seus problemas internos, também tem recorrido à Turquia.

Israel apenas observa. Não deve se envolver em nada por enquanto. Preferia Assad apenas pela previsibilidade do líder sírio. Os israelenses também estão insatisfeitos com os acontecimentos no Egito, onde um populismo tem crescido inclusive entre os militares. Internamente, enfrentam protestos contra o elevado custo de vida e a concentração de riqueza nas mãos de algumas famílias como os Dankner e os Tshuva, que controlam companhias de telecomunicações e energia. Para completar, setembro está chegando e os palestinos seguem com o ideal de conseguir a criação de seu Estado na Assembleia Geral.

11 de Setembro

O portal do Estadão começou ontem a cobrir os dez anos dos atentados. Eu entrarei em breve nesta cobertura também. Acompanhem no http://topicos.estadao.com.br/11-de-setembro

 

 

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

 

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