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De Riad a Teerã – Bahrein está no centro da disputa entre Arábia Saudita e Irã

gustavochacra

17 de março de 2011 | 14h52

No twitter @gugachacra

Bahrein é um país majoritariamente xiita governado por uma monarquia sunita. Levantes são comuns há anos. A Primavera Árabe apenas os tornaram mais intensos e atraíram a atenção internacional. Porém está longe de ser algo inédito como os protestos no Egito. De qualquer maneira, este agravamento do cenário levou às duas maiores potências do golfo a se envolverem no conflito, antes doméstico. Irã e Arábia Saudita disputam Bahrein.

O Irã, no passado, reivindicava Bahrein como parte de seu território. Não conseguiu, já que esta ilha no golfo é árabe – os iranianos são persas. Ainda assim, caso não fosse a influência iraniana, este pequeno país do Golfo Pérsico talvez fizesse parte dos Emirados Árabes Unidos. A diferença de Bahrein, que é uma ilha, para Dubai e Abu Dhabi está na composição religiosa da população.

Nos Emirados, a quase totalidade dos nativos é sunita. Em Bahrein, 70% é xiita, enquanto três em cada dez são sunitas. Por se considerar o pólo dos xiitas, o Irã naturalmente se sente mais próximo de Bahrein do que dos outros países do Golfo, como Qatar e Kuwait.

O problema é que Bahrein está a alguns quilômetros de distância da Arábia Saudita. Basta atravessar uma ponte. E, no lado saudita, há dois agravantes que demonstram a relevância dos levantes em Bahrein. Primeiro, esta região é a maior produtora de petróleo do país, sede da gigantesca ARAMCO. Em segundo lugar, existe uma minoria xiita habitando esta parte do território saudita, que é majoritariamente sunita e governado por uma monarquia que segue a vertente mais conservadora desta corrente islâmica.

Portanto, o Irã considera Bahrein chave por ser xiita e a Arábia Saudita por ter xiitas em um país controlado por sunitas. Um sucesso no levante em Bahrein pode ter reflexos no outro lado da ponte. Não confiando mais nos EUA, assim como Israel, Riad decidiu agir por conta própria.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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