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De São Bernardo a Nova York – Americanos e europeus adoram a história de vida de Lula

gustavochacra

29 de abril de 2010 | 14h04

Americanos, europeus, israelenses, árabes e iranianos adoram a história de vida de Lula e isso explica em parte a escolha da revista Time entre os 25 líderes mais importantes do mundo (Fernando Henrique está na da Foreign Policy). Até mesmo no Yemen, um grupo de profissionais liberais me fez um interrogatório sobre o presidente brasileiro durante ritual de consumo do qat.  Nos últimos anos, eles  apenas escutam notícias de que o Brasil se transformou em uma das mais poderosas economias emergentes. Aqui em Nova York, há propagandas espalhadas pela cidade de um banco brasileiro exibindo a capa da revista The Economist e um caderno do Wall Street Journal com elogios ao Brasil.

Os defeitos do governo Lula, em especial os casos de corrupção como o mensalão, quase não repercutem nos outros países. Italianos acham difícil alguém superar o Berlusconi. Para os franceses, Chirac é imbatível. Os israelenses tiveram o escândalo envolvendo o ex-premiê Ehud Olmert. Isso para não falar de egípcios, sauditas e outras nacionalidades. Infelizmente, notícias de corrupção são geralmente para consumo interno.

Lula, para os estrangeiros, simboliza apenas a história de um homem pobre que superou todos os obstáculos para chegar à Presidência. E, mais importante, tendo um currículo considerado democrático e responsável em questões econômicas. Para completar, seus dois mandatos coincidiram com o momento em que o BRICs ganharam destaque.

Seu sucessor, sendo Serra ou Dilma, não terá o mesmo impacto internacional que Lula. Apesar das qualidades dos dois e de também terem histórias de vida que envolvem superação de obstáculos, eles não têm carisma. O governador paulista pode ser filho de um feirante que imigrou da Itália. Porém sua imagem sempre será, no exterior, de um homem de classe média, que estudou em Cornell.

Para o bem ou para o mal, costumamos conhecer somente líderes estrangeiros que sejam carismáticos. Poucos nos EUA saberiam dizer quem foi Médici ou Castelo Branco. Já o nome Pinochet é facilmente identificável. Lech Walesa se tornou um ícone internacional. Mas quem sabe dizer  como se chamava o presidente da Polônia recentemente morto em acidente aéreo? Qualquer pessoa que leia jornais saberia as nacionalidades do Arafat e do Sharon. Já o Abbas e o Netanyahu são menos conhecidos. Tentem lembrar o nome de um presidente da Venezuela antes de Hugo Chávez. Zuma e Mbeki nunca chegaram aos pés de Mandela em reconhecimento internacional.

Mas Lula não é único no Brasil. Marina Silva, se eleita, por ser mulher, ter vindo de uma região amazônica e ser defensora do meio-ambiente, talvez chamasse ainda mais a atenção do que o atual presidente.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Leia os blogs dos correspondentes internacionais do Estadão –

Ariel Palacios (Buenos Aires) – http://blogs.estadao.com.br/ariel-palaci…

Patricia Campos Mello (Washington) – http://blogs.estadao.com.br/patricia-cam…

Claudia Trevisan (Pequim) – http://blogs.estadao.com.br/claudia-trev…

e Adriana Carranca (pelo mundo) – http://blogs.estadao.com.br/adriana-carr…

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