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De Suez ao Atlântico – Líbia não tem nada a ver com Israel e o Irã

gustavochacra

24 de fevereiro de 2011 | 12h54

No Twitter @gugachacra

A Líbia não tem xiitas como o Líbano, o Iraque e o Bahrein. Trípoli não tem cristãos como Beirute, Damasco e Ramallah. Os líbios não possuem disputas com os israelenses como os libaneses, sírios e palestinos. Tampouco recebem ajuda americana como os egípcios e os jordanianos. Muito menos do Irã, como o Hezbolah, o Hamas e a Síria. A Líbia não é aliada da Arábia Saudita. E nem do Irã. A Líbia não recebe turistas como o Egito e o Marrocos.

Os líbios não possuem mais um rei como marroquinos, sauditas e kuwaitianos. Não há conservadorismo religioso em Trípoli, como existe em Riad e Teerã. Não há liberdade individual como em Beirute. Não existe identidade nacional como na Turquia, na Síria e no Egito. Religiões não disputam o poder como no Líbano e no Iraque.

Mas a Líbia tem petróleo, como a Arábia Saudita e os países do Golfo. É uma ditadura, como a Síria e a Argélia. Fala árabe como todos os países da região, menos o Irã, que é persa.

A queda de Muamar Kadafi nada terá a ver com Israel, com o Irã ou com a Arábia Saudita. Dizer que o Irã sairá vencedor de uma revolução na Líbia não faz sentido. Para Teerã, nos últimos anos, a aliança mais importante foi com o Brasil e a Turquia. Israel pode ter perdido um aliado no Cairo, mas o que interessa quem está no poder em Trípoli? A importância é a mesma de o Afeganistão ter o Taleban ou Karzai no poder – nenhuma.

Em 2005, me matriculei em uma aula durante o meu mestrado na Universidade Columbia, em Nova York, denominada Política do Oriente Médio e Norte da África. Imaginei que estudaria apenas os conflitos de Israel com seus vizinhos e um pouco da guerra do Iraque. Errei. Eram aulas sobre como Kadafi tomou o poder na Líbia e sua Jamahiriyya – a noção de não existência do Estado. Ou o papel da Irmandade Muçulmana nos levantes contra a fome no Egito nos anos 1970. E a Revolução de Ben Bella na Argélia.

Não havia percebido que a aula era sobre “Oriente Médio” e “África do Norte”. Na última década, observamos apenas o que estava ao redor dos três “I”s – Irã, Israel e Iraque. E esquecemos todo o vasto e desconhecido mundo que se estende de Suez ao Atlântico, conhecido como Maghreb, que quer dizer “Ocidente” em árabe. Por sinal, o mesmo nome é adotado pelo Marrocos na língua árabe.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Leiam o blog do  – http://blogs.estadao.com.br/ariel-palacios/de-kadafiqadhaffi-a-kirchnerkitchner-interrompemos-nossa-programacao-para-fazer-uma-breve-ponte-entre-%E2%80%98os-hermanos%E2%80%99-e-os-brimos-e-expomos-112-formas-de-escrever-o-nome-do-lider/ Ariel Palacios

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