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De Teerã a Nova York – A equação para entender a islamofobia e o islamofascismo

gustavochacra

14 de setembro de 2010 | 08h54

A equação abaixo ajuda a entender o mundo de hoje

Quanto > a islamofobia, > o islamofascismo e

Quanto > o islamofascismo, > a islamofobia

Apenas para esclacer

Islamofobia = aversão aos muçulmanos

Islamofascismo = radicalismo islâmico

Portanto,

Quando um pastor na Flórida ameaça queimar o Alcorão, um taxista de Nova York é esfaqueado e mesquitas em oito Estados sofrem ataques, em atos claramente islamofóbicos, acaba acentuando o islamofascismo. Por exemplo, o aiatolá Ali Khamanei, do Irã, aproveita o episódio para dizer que existe um complô dos EUA para queimar o livro sagrado do islamismo

Quando um soldado muçulmano mata seus colegas em uma base militar no Texas, um nigeriano tenta explodir um avião em Detroit e um paquistanês coloca um furgão com explosivos no Times Square, em atos claramente islamofascistas, acaba acentuando a islamofobia. Aumentam as ações contra os muçulmanos em geral, temendo que eles realizem ataques terroristas e tratando todos os seguidores de uma religião como se fossem a mesma coisa

O problema se deve a dois motivos

Muitos islamofóbicos nem percebem que são. Normalmente, nunca viram um muçulmano ao vivo, não conhecem países de maioria islâmica e são influenciados por órgãos de imprensa como a Fox News, claramente islamofóbica. Imaginam que os muçulmanos queiram dominar o Ocidente, propagando uma série de mentiras e generalizando 1 bilhão de pessoas como se todas fossem iguais

Muitos islamofascistas tampouco percebem que são. Acham que existe um complô formado por EUA e os judeus para dominar o mundo. Sofrem influência de alguns órgãos de imprensa e líderes em países de maioria islâmica que são claramente anti-semitas.

A solução está em olhar para o outro lado

Os islamofascistas aprenderiam bem mais se lessem o New York Times, a Newsweek, a Time, a The Economist, a CNN, a BBC e o Haaretz. Perceberiam que os principais meios de comunicação do Ocidente e de Israel são moderados e entendem bem os conflitos internacionais. Basta também ouvir as declarações de David Petraeus, Barack Obama e mesmo de George W. Bush. Todos sempre deixaram claro que não estão em guerra com o Islã

Os islamofóbicos aprenderiam mais se assistissem à Al Jazeera Internacional, lessem o An Nahar, o L’Orient le Jour, o The National (Dubai) e uma série de outros jornais do mundo árabe. Vale também ler os próprios jornais e revistas dos EUA, da Europa e de Israel citados acima. Basta também ouvir praticamente todos os líderes dos países de regiões de maioria islâmica, tirando o Irã – apesar de, na época, Khamanei, assim como todos os dirigentes do mundo muçulmano, menos o Afeganistão, terem condenado o 11 de Setembro. Observem as declarações de lideranças islâmicas importantes nos EUA (eu coloco as posições destes líderes no Estadão sempre que há um episódio violento, e outras pessoas insistem em dizer que muçulmanos moderados não falam nada). Entenderiam bem melhor as nuances do mundo islâmico e entenderiam que apenas uma minoria segue uma versão radical violenta do islamismo

Assim,

Quanto

Quanto

O pastor Terry Jones e Anwar Al Awlaki estão do mesmo lado. É a aliança surream de islamofóbicos e islamofascistas

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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