As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

De Teerã a Nova York – Quem acredita nas mentiras de Ahmadinejad? O Amorim?

gustavochacra

24 de setembro de 2010 | 08h53

A infantilidade de alguns líderes internacionais me espanta. Como uma das pessoas mais ouvidas do mundo pode ser um idiota como Ahmadinejad? Não sei como não entenderam que ele gosta apenas de provocar, de mentir, mesmo que seja para ser chamado de anti-semita e inimigo dos EUA. O presidente iraniano não liga para estas classificações, assim como Hugo Chávez. Graças a estes ataques, ele se transformou em uma estrela.

Conforme afirmou o Michael Douglas em entrevista da qual participei na semana passada, “atores adoram papel de vilão”. Ahmadinejad é como o personagem Gordon Gekko, representado pelo filho de Kirk Douglas, no filme Wall Street. Da mesma forma que o vilão das finanças, o iraniano também tem seus fãs e defensores, incluindo o chanceler Celso Amorim e o diretor Oliver Stone.

Ontem o atentado de 11 de Setembro substituiu o Holocausto no discurso do iraniano nas Nações Unidas em uma espécie de segundo episódio de uma série do vilão Ahmadinejad. Assim como no genocídio dos judeus na Segunda Guerra, o líder iraniano usou uma série de teorias da conspiração para explicar os atentados terroristas em Nova York e Washington.

Aliás, em um trecho do seu discurso, Ahmadinejad diz que, segundo uma das versões do 11 de Setembro, “os EUA orquestraram o atentado para reverter o declínio da economia americana e aumentar a sua influência no Oriente Médio e também para salvar o regime sionista (termo usado por ele para se referir a Israel). A maior parte da população americana, políticos e outras nações concordam com esta visão”, acrescentou, sem explicar de onde tirou esta informação.

Meses atrás, o presidente do Irã chegou a dizer que nunca tinha visto a lista das vítimas dos atentados, para depois ser desmentido. Afinal, os nomes dos mortos estão em diversos sites da internet e também são lidos todos os anos no Ground Zero.

Não dá para saber de onde o iraniano inventa ou tira estas histórias. Ahmadinejad afirma apenas ter ouvido de “nações e políticos”. Sabemos que ele conversa muito com o ministro das Relações Exteriores do Brasil. Mas duvido que Amorim acreditaria em uma teoria da conspiração destas. Por este motivo, tampouco deveria crer quando o Irã afirma estar disposto a negociar. Mas não é o que acontece. Segundo disse em entrevista à repórter Cris Fibe da Folha, os iranianos “estão muito dispostos (a dialogar). Eu já vinha sentindo, primeiro, que eles mantiveram a flexibilidade. Mesmo depois da adoção das sanções, a reação oficial do governo tem sido a de que continua aberto a negociações”.

Sei, sei. E o 11 de Setembro deve ter sido uma operação da CIA. Este é o Ahmadinejad, o Gordon Gekko da política internacional. Quem acredita nele?

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.