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De Teerã a Riad – Irã já foi punido; agora, falta a Arábia Saudita

gustavochacra

24 de março de 2011 | 12h03

No twitter @gugachacra

O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou o envio de um relator para investigar as violações do regime de Teerã. O Brasil votou a favor. Não havia como ser contra esta resolução.

O atual governo iraniano reprime a oposição e minorias religiosas como os Baha’i. As mulheres iranianas têm seus direitos restringidos, sendo colocadas em um grau de inferioridade em relação aos homens. O Irã intervém em assuntos domésticos de outros países, como o Líbano e o Iraque. Grupos como o Hamas e o Hezbollah são armados pelos iranianos. O presidente Mahmoud Ahmadinejad questiona o número de mortos no Holocausto e já deu uma série de declarações anti-Israel.

Mas não são apenas os iranianos que agem desta forma. O maior aliado dos Estados Unidos no mundo árabe, também. Aliás, a Arábia Saudita pode ser considerada ainda pior do que o regime de Teerã em alguns pontos. As mulheres sauditas sequer podem dirigir. No Irã, há cineastas e figuras expressivas como Shirin Ebadi, prêmio Nobel da Paz. Quem aqui pode dizer o nome de uma mulher de Riad ou Jedah? As minorias religiosas são ainda mais reprimidas no território saudita. Basta ver a situação dos xiitas. Não-muçulmanos são proibidos de visitar algumas áreas do país.

Riad também intervém em assuntos de outras nações. Tropas sauditas estão neste exato momento matando opositores em Bahrein. Também concedem apoio a grupos no Líbano e no Iraque. No ano passado, bombardearam áreas dos houthis no Yemen.

No caso de Israel, a posição da Arábia Saudita é bem mais amena. Pelo menos em público, nunca fizeram comentários sobre o genocídio dos judeus e outras minorias durante o nazismo. E apresentaram uma proposta para o estabelecimento da paz com os israelenses em troca da retirada dos territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias (1967).

Esperamos que, no futuro, o CDH também nomeie relatores para a Arábia Saudita e até mesmo a China. Será difícil, afinal vivemos em um mundo onde os Estados defendem seus interesses e muitas vezes precisam ser aliados de regimes como o saudita. São os dois pesos e duas medidas. Que, por sinal, se aplicam agora no mundo árabe. Na Líbia, uma coalizão internacional apóia os opositores. Em Bahrein, uma coalizão árabe reprime os opositores e ninguém dá muita bola.

Comentário sobre o voto brasileiro em breve no blog da Denise (Cartas de Washington)

obs. Estou devendo o post sobre a Síria. Seria ontem, mas não dava para ignorar o atentado em Jerusalém. Hoje, teve o voto sobre o Irã. Mas amanhã, se não ocorrer nada, será publicado o primeiro da série

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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