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De Teerã a Tel Aviv – Manual para entender a questão nuclear iraniana

gustavochacra

19 de abril de 2010 | 08h44

O que diz cada uma das partes envolvidas na questão nuclear iraniana

Regime do Irã – O líder supremo, Ali Khamanei, afirma ser categoricamente contra armamentos nucleares. O presidente Mahmoud Ahmadinejad defende que todos os países tenham direito a energia nuclear, mas que nenhum possua armas atômicas. Oficialmente, o programa nuclear é para fins civis

Oposição do Irã – Os opositores nunca divergiram claramente do governo na questão nuclear. Inclusive, durante os anos do governo de Khatami, um moderado, os iranianos já haviam iniciado o programa nuclear, que tem suas raízes nos tempos do xá, um aliado americano. As diferenças entre os dois lados são mais concentradas nas liberdades políticas e sociais

EUA – Acusam o regime iraniano de estar secretamente desenvolvendo armamentos nucleares. Tentaram uma saída diplomática até o fim do ano passado. Sem sucesso, passaram a priorizar uma nova resolução com sanções ao Irã

França e Inglaterra – Membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, adotam uma postura similar à dos americanos

China e Rússia – Também integrantes permanentes do CS e com boas relações comerciais com o Irã, aceitam discutir novas sanções, mas apoiariam apenas a aprovação de um texto bem mais ameno do que o proposto pelos EUA

Brasil e Turquia – Integrantes rotativoss do CS, dizem achar possível prorrogar por mais algum tempo as negociações diplomáticas com os iranianos, evitando uma nova leva de sanções. Os dois países acrescentam ter cautela em relação aos iranianos depois de o Iraque ter sido acusado de possuir armas químicas, e não as ter. A Índia e a África do Sul, que não estão no CS, defendem uma posição próxima a de brasileiros e turcos

Israel – Diz ser ameaçado pelo Irã, acrescentando que o regime de Teerã está cada vez mais próximo de possuir uma bomba atômica. Pede que a comunidade internacional aja com urgência e não descarta uma operação militar. O país possui armas nucleares, mas não está sujeito a sanções pois, como a Índia e o Paquistão, não é signatário do TNP

Arábia Saudita – Rival do Irã no mundo islâmico, prefere não se envolver diretamente na questão. Opta por pressionar os EUA a adotar uma postura mais dura com os iranianos por canais indiretos, mas não apóia uma operação militar contra Teerã

Líbano – Teme que o conflito iraniano seja transferido para o seu território. Em caso de ataque israelense a Teerã, o Irã poderia usar o grupo xiita libanês Hezbollah para atacar Israel. Em resposta, os israelenses poderiam mais uma vez bombardear o Líbano, como em 2006, com o argumento de que a organização integra o governo – na realidade, segundo as regras libanesas, há um percentual de cadeiras no Parlamento destinado aos xiitas e estes votam no Hezbollah e seus aliados. Ironicamente, o frágil país dos cedros estará na presidência do CS em maio e não deve colocar a resolução em votação

Síria – Os sírios não se envolvem na questão nuclear iraniana. São os principais aliados de Teerã, ao mesmo tempo que buscam se reaproximar dos EUA. Por enquanto, não há perspectiva de retomada do diálogo com Israel

Autoridade Palestina – Afirma que o Irã apenas atrapalha os seus interesses. Especialmente Ahmadinejad, que liga o Holocausto à questão palestina – algo que a AP acha contraprodutivo. Além disso, segundo os palestinos, o Irã tira o foco dos reais problemas palestinos, como os assentamentos

Hamas – Como recebe apoio de Teerã, tende a apoiar Ahmadinejad, pois ele ajuda a enfraquecer a Autoridade Palestina

Iraque – Como no Líbano, poderia sofrer efeitos colaterais em caso de ataque de Israel. O Irã poderia lançar ações contra tropas americanas no país, minando a frágil tentativa de reconstrução iraquiana

Agência Internacional de Energia Atômica – Afirma não haver provas conclusivas contra o Irã, mas reclama da falta de colaboração do regime iraniano. Segundo a entidade, esta atitude de Teerã apenas alimenta as suspeitas

Leia mais no blog da Patricia Campos Mello @ http://blogs.estadao.com.br/patricia-campos-mello/

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Perfil (a ferramenta ao lado não funciona) – O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Leia os blogs dos correspondentes internacionais do Estadão – Ariel Palacios (Buenos Aires), Patricia Campos Mello (Washington), Jamil Chade (Genebra), Claudia Trevisan (Pequim) e Adriana Carranca (pelo mundo)

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