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De Tóquio, a Madri a Nova York – A decadência do sumô, do turfe, do boxe e das touradas

gustavochacra

19 de agosto de 2010 | 09h59

O sumô está em decadência no Japão. Os lutadores se envolveram em escândalos, o físico gorduroso atrai poucos jovens e a audiência na TV diminuiu. A NHK, principal rede de TV japonesa, sequer transmitiu um dos principais campeonatos realizados no país neste ano.

A Catalunha proibiu a tourada. As outras regiões espanholas não seguiram o mesmo caminho. Mas está claro que esta tradição ibérica perde espaço, com arenas vazias e dependência financeira do governo. A magia descrita nos livros de Hemingway não existe mais.

O boxe está longe de viver os tempos de Mike Tyson ou Mohammad Ali nos Estados Unidos. Os dois melhores pesos pesados são irmãos  da Ucrânia, assim como o melhor lutador, independentemente da categoria, é um filipino. Os jovens americanos cada vez mais preferem as lutas de vale-tudo. Quem sabe o nome do melhor lutador dos EUA nos pesados do boxe atualmente? Verdade, ainda tem o enorme mercado do pay per view, mas é restrito a fanáticos.

O turfe também entrou em decadência e faz tempo. Hoje os Jockey Clubes praticamente não se sustentam mais, independentemente do país. Tente ir à Cidade Jardim. Apenas algumas dezenas de pessoas se sentam nas vazias arquibancadas – e outras lotam os restaurantes sem se preocupar com os páreos. De um lado, aumentaram as apostas pela internet. De outro, caíram as in loco. Estas e as das casas de apostas filiadas são as que geram renda para os clubes. Uma aposta na internet feita através de um site localizado na Inglaterra não repassa nada para o Jockey.

O resultado é redução na renda do Jockey e dos proprietários de cavalos. E o público também perde interesse pelo GP Brasil na Gávea, o GP São Paulo em Cidade Jardim e mesmo a Tríplice Coroa americana não é a mesma de décadas atrás.

Boxe, Sumô, do Turfe e Touradas parecem que aos poucos se transformam em coisas do passado, de um Japão, de uma Espanha ou de um Estados Unidos que deixam de existir. Claro, não desaparecerão. Mas perderam importância.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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