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De Trípoli a Damasco – Situação de Assad é bem melhor do que era a de Kadafi

gustavochacra

24 de agosto de 2011 | 10h28

no twitter @gugachacra

Os rebeldes tomaram Benghasi em dias. A primeira resolução da ONU contra a Líbia, impondo sanções, foi aprovada no início de março. Naquela época, a oposição controlava toda a porção leste da Líbia, conhecida como Cyrenaica. Duas semanas mais tarde, em 17 de março, quando as forças de Kadafi estavam próximas de Benghasi, principal bastião da oposição, para reprimir de uma vez por todas os protestos, o Conselho de Segurança estabeleceu a zona de exclusão aérea e abriu as portas para os bombardeios da OTAN – que em muitos casos foram ilegais por não respeitarem o texto da ONU. Uma série de autoridades e militares já havia rompido com Kadafi. Até cair o regime, ainda demoraram mais cinco meses.

Na Síria, o regimede Bashar al Assad controla todo o território, incluindo Hama. Não ocorreu um só racha no alto escalão do governo ou do Exército. A oposição, apesar de facções armadas, é incapaz de lutar, sem a ajuda de uma OTAN, contra um bem treinado e leal Exército. Não foi aprovada sequer uma resolução com sanções e, no Conselho de Segurança, nem mesmo os Estados Unidos cogitam a possibilidade de uma intervenção militar.

Levando estes fatores em consideração, pergunto quanto tempo demoraria para Assad cair, se Kadafi, em uma situação bem mais adversa, durou ainda cinco meses? Agora, prestem atenção, eu escrevi Assad, não o regime do Baath…  Amanhã, me aprofundarei mais nesta distinção.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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