As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

De Washington a Jerusalém – Israel, EUA e palestinos estão de gozação

gustavochacra

18 de novembro de 2010 | 22h28

O POST SERÁ ATUALIZADO ASSIM QUE O GABINETE DE ISRAEL VOTAR A QUESTÃO DO CONGELAMENTO DOS ASSENTAMENTOS

A novela do congelamento dos assentamentos israelenses está se tornando cômica, para não dizer trágica. Primeiro, apenas uma rápida explicação de como anda a situação.

. Em setembro, as negociações foram congeladas porque Israel não concordou em prorrogar por 60-90 dias novas construções nos assentamentos construídos em território não reconhecido pela ONU como israelense. A moratória durava dez meses. Mas a Autoridade Palestina esperou até o nono para iniciar o diálogo

. Os Estados Unidos decidiram pressionar Israel a manter a moratória. O objetivo, no período do congelamento, seria acelerar as negociações para definir as fronteiras do futuro Estado palestino. Existe quase um consenso de que os principais blocos de assentamentos ficarão com Israel

. Caso cheguem a uma solução, os israelenses poderiam retomar as construções nos assentamentos que ficassem no lado de Israel da nova fronteira. As demais colônias, no lado palestino, ficariam congeladas até se definir o destino delas

. Netanyahu não concordava com a prorrogação. Além disso, sua coalizão, uma das mais conservadoras da história de Israel, se recusa a aceitar um novo congelamento e apoiou a retomada das obras

. Para contornar o problema, os EUA ofereceram um pacote para Israel. Os troca da suspensão temporária nas construções, os americanos prometeram conceder 20 caças F-35 avaliados em US$ 3 bilhões, vetaram todas as iniciativas unilaterais palestinas no Conselho de Segurança (que, no fundo, não altera nada, já que sempre vetaram) e defenderão Israel em órgãos multilaterais, como a Agência Internacional de Energia Atômica (idem)

. Netanyahu aceitou a proposta e decidiu levar para a oferta para o seu gabinete. Nas reuniões com seus ministros, o premiê tem dito que o congelamento por 90 dias em novas construções seria aplicado apenas na Cisjordânia. Porém, segundo autoridades americanas, as obras em Jerusalém Oriental, reivindicada pelos palestinos como sede de um futuro Estado, deveriam ser paralisadas

. Além da questão de Jerusalém, haveria uma divergência em um trecho do acordo. Os americanos querem deixar a aberta a possibilidade de uma nova extensão da moratória nas obras ao fim dos três meses, caso seja necessário mais tempo para um acordo. O premiê israelense não aceita uma outra renovação e diz que esta seria a última oportunidade

Abaixo, em inglês, segue a coletiva do porta-voz do Departamento de Estado a jornalistas. Mas, mesmo quem não queira ler, apenas pergunto o que vocês acham que irá acontecer

a)    Israel não aceitará prorrogar o congelamento

b)   Israel aceitará, mas os palestinos não concordarão porque Jerusalém Oriental não foi incluída na moratória

c)    Os EUA não darão detalhes, Israel dirá que Jerusalém Oriental não foi incluída, os palestinos dirão que foi e todos negociarão com cada um dizendo uma coisa até o diálogo não dar em nada e o impasse voltar daqui 90 dias. Logo, os palestinos irão para a ONU

d)   Israel e palestinos chegarão a um acordo sobre as fronteiras. E, em seguida, começarão a discutir o status final de Jerusalém e a questão dos refugiados. Daqui um ano será criado o Estado palestino. Obama será bi-campeão do Nobel, dividindo com Netanyahu e Abbas

De verdade, vale a pena ver o diálogo abaixo. O Mr. Toner é o porta-voz do Departamento de Estado. As perguntas são de jornalistas. PJ, citado no texto, é o outro porta-voz, de folga hoje

QUESTION: Mark, can you tell us how things are going in the drafting of these written assurances to the Israelis to get them to extend the – or to renew the settlement freeze?

MR. TONER: Well, appreciate your question, Matt. As you know, we are not going to get into details. We do remain in close touch with the both the Israelis and the Palestinians on this. We’re working intensively, as the Secretary said yesterday, to create the conditions that lead to the resumption of direct negotiations.

QUESTION: You don’t want – is the status quo acceptable? I’m sorry, I don’t think that I’ve heard whether that’s the case or not over the last couple days.

MR. TONER: Matt, the status quo is unacceptable.

QUESTION: Yeah. So, in other words, you haven’t gotten any new guidance in the past week. You’re saying exactly the same thing, word for word, you and the Secretary, P.J, everyone else out of this. You don’t —

MR. TONER: And a coherent message from all parties involved, is that —

QUESTION: Yeah. Has there been any progress at all?

MR. TONER: Is that alarming to you?

QUESTION: Well, it is because you’ve gone for a week, you seem to be unable to discuss even the minutest of specificity when asked questions which are not asking for details, they’re just asking —

MR. TONER: We’ve said all along that we’re not going to get into the substance of our talks.

QUESTION: What is substantive about writing a written assurance?

MR. TONER: Well, it does speak to the substance of the negotiations.

QUESTION: Exactly how?

MR. TONER: I’m not going to get into it. But what I am going to say is that we’re obviously engaged, we’re working intensively with both parties —

QUESTION: I have to say, Mark, it’s not obvious that you’re engaged, because no one will say anything about what’s going on.

MR. TONER: Well, David Hale was in the region yesterday and he met with Abbas. I believe the Secretary —

QUESTION: And afterwards, the Palestinians said that he didn’t have anything to tell them.

MR. TONER: The Secretary spoke with Defense Minister Barak, I believe, yesterday.

QUESTION: All right. So that’s something.

MR. TONER: It’s something. I’m just saying that we do remain engaged on this issue.

QUESTION: So Clinton spoke to Barak yesterday?

MR. TONER: Correct.

QUESTION: Has there been any other contact that you’re aware of?

MR. TONER: Not that I’m aware of. Obviously, she’s on the plane right now. But no, I think that’s it.

QUESTION: All right.

QUESTION: And she hasn’t spoken to Abbas, for example?

MR. TONER: Not that I’m aware of.

QUESTION: Any travel planned?

MR. TONER: Any travel plans for Mitchell?

QUESTION: Yeah.

MR. TONER: No. Nothing to announce, at least.

QUESTION: Can you —

QUESTION: What is Senator Mitchell doing these days? (Laughter.)

QUESTION: Having lunch.

MR. TONER: I believe he is back in New York.

QUESTION: Can you confirm what the Palestinians are saying publicly, that they want a freeze on settlements also in East Jerusalem, not just in the West Bank? I mean, David Hale has spoken to them. Are they saying the same thing to you?

MR. TONER: Well, look, again, we’re all aware of what’s out in the press and out in the public. We’re trying to create the conditions that get them back into direct negotiations. We are keeping our eyes firmly on that ball. We’re trying to get them back in because we know that that’s the only way that all these issues can be eventually resolved.

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.